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Em mais um livro-bomba contra seu governo, Trump é acusado de racismo

Em livro de memórias, Michael Cohen, ex-advogado do republicano, afirma que o presidente classificou negros e latino-americanos como 'estúpidos'

Por Julia Braun Atualizado em 8 set 2020, 15h58 - Publicado em 7 set 2020, 08h59

Michael Cohen, ex-advogado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançará nos próximos dias seu novo livro de memórias. Entre diversas revelações dos bastidores da Casa Branca, um dos trechos do livro revela que o republicano classificava os negros e latino-americanos como “estúpidos”.

O livro “Disloyal: A Memoir” (Desleal: Uma Memória, em tradução livre para o português) será publicado oficialmente nesta terça-feira, 8, mas o jornal americano The Washington Post teve acesso ao seu conteúdo antes do lançamento oficial.

Cohen, condenado por fraude, entre outros crimes, relatou o momento em que Trump decidiu concorrer à Presidência. Segundo o advogado, os três filhos mais velhos de Trump foram até seu escritório depois que o empresário anunciou sua intenção de concorrer à indicação republicana, em 2015.

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Na ocasião, Trump disse que o México estava enviando traficantes de drogas, criminosos e estupradores para os Estados Unidos e por isso queria construir um muro na fronteira com o sul do país. Os filhos do republicaram queriam que seu pai renunciasse à campanha, pois temiam que qual tal retórica “matasse a empresa” da família.

No entanto, o advogado pessoal do magnata garantiu que Trump não estava preocupado com isso, já que seus negócios não seriam afetados, nem sua campanha. “Eu nunca terei o voto latino-americano. Como os negros, eles são estúpidos demais para votar em Trump. Eles não são meu povo”, disse o republicano, de acordo com o livro de Cohen.

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Michael Cohen, ex-advogado do presidente americano Donald Trump, deixa corte em Nova York – 12/12/2018 Timothy A.Clary/AFP
  • Cohen foi condenado a três anos de prisão por violar as leis de financiamento de campanha de Trump, pagando dinheiro a mulheres que afirmavam ter tido relacionamentos com o presidente para comprar seu silêncio, bem como evasão fiscal e falsas declarações a um banco. Antes de entrar na prisão, o advogado testemunhou perante o Congresso, uma audiência na qual relatou inúmeras mentiras e crimes que ele teria cometido para proteger Trump, que ele disse ser “um racista, um vigarista, uma fraude”.

    O livro também reflete vários ataques de Trump aos negros e seu antecessor, Barack Obama. “Diga-me um país governado por um negro que não seja idiota”, disse Trump, de acordo com Cohen.

    O advogado também revela a admiração que Trump sente pelo presidente russo, Vladimir Putin, por sua capacidade de “assumir o controle de uma nação inteira e administrá-la como se fosse sua empresa pessoal, como a Organização Trump, na verdade”.

    Na opinião de Cohen, Putin e Trump tinham em comum o desejo de “prejudicar (a ex-secretária de Estado e então candidata democrata Hillary Clinton) de qualquer maneira possível” e que não havia conluio com o governo russo para que ele ganhasse as eleições, mas sim uma “confluência de interesses comuns”.

    (Com EFE)

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