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Em livro, George W. Bush justifica uso de tortura

Ex-presidente americano conta que autorizou a CIA a submeter suposto mentor dos atentados de 11/9 a "afogamento simulado"

Por Da Redação 3 nov 2010, 16h10

No livro de memórias, Bush lamenta por sua resposta demorada ao furacão Katrina, por ter concordado em reduzir as tropas no Iraque após a invasão inicial, e ainda por nomear sua amiga, a advogada Harriet Miers, para a Suprema Corte

O ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush revelou que autorizou a CIA a adotar uma forma de afogamento simulado com o suposto mentor do ataque de 11 de Setembro, Khalid Sheikh Mohammed. Esse é um método considerado tortura por grupos de direitos humanos. Ele afirma que autorizou o procedimento, pois isso salvaria muitas vidas.

A revelação está em seu livro de memórias “Decision Points”, que começará a ser vendido nas livrarias dos Estados Unidos a partir do dia 9. O jornal The New York Times obteve uma cópia do material e comentou o livro em seu site na noite da última terça-feira.

O livro não é um volume de memórias convencional, mas uma reflexão sobre as decisões mais importantes de sua vida, incluindo a resposta aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e a guerra no Iraque. Bush defende sua presidência, incluindo as decisões que levaram à guerra, e também a autorização do uso de “técnicas duras de interrogatório” contra suspeitos de terrorismo capturados.

Lamentos – O ex-mandatário lamenta por sua resposta demorada ao furacão Katrina, em 2005, por ter concordado em reduzir as tropas no Iraque após a invasão inicial, em 2003, e ainda por nomear sua amiga, a advogada Harriet Miers, para a Suprema Corte. Com dificuldades para a confirmação de seu nome pelo Legislativo, Harriet desistiu da nomeação.

Bush escreveu ter passado por “um sentimento nauseante” ao saber que não havia armas de destruição em massa no Iraque. De acordo com ele, a redução das tropas muito rapidamente foi “o mais importante fracasso de execução na guerra”.

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Vice – Ele também conta que avaliou a possibilidade de mudar de vice-presidente na disputa pela reeleição em 2004. Passou semanas avaliando a possibilidade de substituir Cheney pelo senador pelo Tennessee Bill Frist, então líder da maioria no Senado. Após muito pensar, porém, decidiu manter Dick Cheney no posto. O que queria era acabar com os comentários dos críticos, que diziam que o vice seria o verdadeiro tomador de decisões e, assim, escreve o ex-presidente, “mostrar que eu estava no comando”.

Bush diz que Cheney o ajudou com parcelas importantes da base republicana. Apesar disso, recorda as críticas ao vice. “Ele era visto como obscuro e sem coração, o Darth Vader da administração”, escreveu. “Eu não o tinha escolhido para se um ativo político. Eu o havia escolhido para me ajudar no trabalho. Isso foi exatamente o que ele fez.”

O livro deixa claro que Cheney incentivou Bush a ir para a guerra. O ex-presidente afirma que o vice havia assumido a frente no tema, em um discurso de agosto de 2002, rechaçando a possibilidade de haver mais inspeções no Iraque. Cheney também discordou da decisão de Bush de demitir o secretário da Defesa Donald Rumsfeld após as eleições de meio de mandato em 2006, quando a guerra do Iraque ia mal.

Bush lembra a pressão do vice para perdoar Lewis “Scooter” Libby, ex-chefe-de-gabinete do próprio Cheney. Libby foi condenado por mentir sobre seu papel no caso do vazamento da identidade da espiã da CIA Valerie Plame. Cheney também pressionou pelo perdão para Libby. Bush já havia comutado a sentença dele.

Após Bush decidir pelo perdão ao ex-funcionário, Cheney criticou o presidente em privado, o acusando de deixar “um soldado no campo de batalha”. O ex-presidente disse que na ocisão temeu pela amizade, mas ela sobreviveu à divergência.

(Com Agência Estado)

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