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Em impulso por acordo de paz, principais negociadores do Irã fazem reunião no Catar

Conversas focaram na liberação do Estreito de Ormuz e no estoque de urânio enriquecido de Teerã

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 Maio 2026, 12h00
Em impulso por acordo de paz, principais negociadores do Irã fazem reunião no Catar Priorize VEJA no Google

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o principal negociador do país foram a Doha para discutir um acordo de cessar-fogo com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdul Rahman Al Thani. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 25, pela agência de notícias Reuters, com base em um funcionário a par da visita.

As conversas, segundo a fonte, focaram no Estreito de Ormuz — rota vital para o comércio internacional de petróleo bloqueada pelo Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país — e no estoque de urânio enriquecido de Teerã. A questão nuclear é um aspecto-chave das negociações. De um lado, os EUA rejeitam que o regime iraniano mantenha a reserva e mantenha a possibilidade de produzir armas nucleares; do outro, o Irã nega ter esse objetivo e rejeita que o material seja enviado para o exterior.

O funcionário também afirmou à Reuters que o chefe do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati, fez parte da delegação para debater a possível liberação de fundos congelados do país — uma das demandas inflexíveis das propostas de paz iranianas. Em paralelo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse nesta segunda que foi possível alcançar conclusões em vários tópicos, mas que o avanço não significa que o regime está “perto de assinar um acordo”.

Além disso, Baghaei informou que o possível memorando de entendimento contém 14 pontos, entre eles o fim da guerra em todas as frentes e o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos. Em troca, Teerã teria de garantir a navegação segura pelo Estreito de Ormuz. O porta-voz também apontou que as negociações não estão concentradas na questão nuclear, que será abordada ao longo de 60 dias caso ambos os países concordem com um acordo-quadro.

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Pressão de Trump

Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu a vários países de maioria muçulmana, entre eles Arábia Saudita, Catar e Paquistão, que normalizem suas relações com Israel como parte de um acordo de paz com o Irã.

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Em uma longa mensagem nas redes sociais, Trump enumerou as nações com cujos líderes conversou no sábado 23 sobre os esforços para encerrar a guerra no Oriente Médio e argumentou: “Depois de todo o trabalho feito pelos Estados Unidos para resolver juntos este quebra-cabeça tão complicado, deveria ser uma obrigação que todos esses países, no mínimo, assinem os Acordos de Abraão”, disse ele, referindo-se aos tratados históricos, mediados por Washingon, que normalizaram os laços diplomáticos entre Israel e nações como Emirados Árabes, Bahrein, Marrocos e Sudão.

Os Acordos de Abraão, assinados em 2020 e promovidos por Trump durante seu primeiro mandato na Casa Branca, têm sofrido resistência por parte de muitos Estados, em particular os sauditas, assim como Síria e Líbano, vizinhos de Israel.

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“É possível que um ou dois (países) tenham um motivo para não fazê-lo, e isso será aceito, mas a maioria deveria estar pronta, disposta e em condições de fazer com que este acordo com o Irã seja um acontecimento muito mais histórico do que, de outro modo, seria”, acrescentou ele. “Deveria começar com a assinatura imediata por parte da Arábia Saudita e do Catar, e todos os demais deveriam seguir seu exemplo. Se não o fizerem, não deveriam fazer parte deste acordo, já que isso demonstra má intenção”, acrescentou.

 

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