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Em encontro dos Brics, Rússia pede apoio para fortalecer e reformar ONU

Iniciativa proposta pela delegação indiana terá como objetivo confirmar papel central da 'organização mais universal e inclusiva', disse chanceler russo

Por Da Redação 1 jun 2021, 12h28

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, pediu nesta terça-feira, 1, que os países-membros do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) unam forças para fortalecer e reformar a Organização das Nações Unidas, principal avalista do direito internacional, a fim de enfrentar os perigos e desafios atuais.

“Apoiamos a iniciativa (…) de que os ministros dos países do BRICS enviem um sinal forte e conjunto em favor do fortalecimento e da reforma do sistema multilateral nas bases inabaláveis do direito internacional”, disse Lavrov.

Realizada por meio de videoconferência devido aos protocolos sanitários, o encontro contou também com a participação do chanceler brasileiro, Carlos Alberto França, e seus homólogos da Índia, Subrahmanyam Jaishankar; da China, Wang Yi; e da África do Sul, Naledi Pandor.

A iniciativa, proposta pela delegação indiana, terá como objetivo confirmar “o papel central da organização mais universal e inclusiva, a ONU”, ressaltou o ministro russo. “E o voto unido dos Brics sobre isso é necessário como nunca antes”, completou.

No contexto da pandemia, segundo Lavrov, “as tendências negativas nas relações internacionais tenham aumentado e o potencial para conflitos e os riscos de destruição do sistema de estabilidade estratégica tenham aumentado”.

“O egoísmo nacional, a vontade de garantir posições dominantes a qualquer custo e o desprezo pelos interesses de outros países minam os alicerces do sistema multilateral criado após a Segunda Guerra Mundial, cuja pedra angular é o direito internacional”, declarou.

Cooperação para combate à pandemia

A Índia está presidindo o fórum do Brics este ano, mas, como Jaishankar lembrou em seu discurso de abertura, “infelizmente a pandemia os impediu de se encontrarem pessoalmente” e continua determinando a realidade global.

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A pandemia, segundo o chanceler indiano, “também continua a fornecer o contexto mais amplo no qual avaliamos o mundo e nossas políticas. Este é um momento para refletir sobre suas muitas implicações”.

O mais enfático sobre a necessidade de cooperação foi o ministro sul-africano, que lembrou que Índia e África do Sul foram à Organização Mundial do Comércio (OMC), com o apoio de mais de 60 países, com proposta de suspensão de patentes de vacinas e outros produtos contra a Covid-19 por pelo menos três anos.

“Temos um dilema global, milhões de pessoas em nações ricas foram vacinadas, enquanto bilhões em países mais pobres ainda estão esperando e permanecem vulneráveis a infecções, doenças e morte”, destacou Pandor. “Ninguém estará seguro até que estejamos todos seguros. Devemos abordar essa lacuna global no acesso às vacinas”. 

Algumas das nações mais ativas na distribuição global de vacinas para países desenvolvidos têm sido principalmente China, Rússia e Índia. O governo indiano, no entanto, teve que interromper exportações para fazer frente à grave crise em seu território.

Por sua parte, França destacou a “cooperação na produção de vacinas” e o acesso a doses importadas da vacina Covishield, do laboratório sueco-britânico AstraZeneca produzida pelo Instituto Serum da India (SII), de outras duas vacinas da China e da russa Sputnik V.

Nesse sentido, o russo Lavrov destacou que “somente unindo forças poderemos superar esta crise em benefício de nossos países.”

“A cooperação entre o BRICS agora enfrenta as ramificações profundas e complexas da pandemia. Este é um desafio para o BRICS, mas também podem surgir oportunidades de uma crise. Acreditamos que, se unirmos forças, o Brics mostrará seu valor único e desempenhará o papel que lhes corresponde”, completou Wang Yi.

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