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Em demonstração de força política, Irã começa ‘maior funeral de todos’ para Ali Khamenei

Autoridades estimam que cerca de 35 milhões de pessoas acompanhem atos fúnebres para líder supremo, morto em fevereiro

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jul 2026, 12h01 | Atualizado em 3 jul 2026, 12h01
Em demonstração de força política, Irã começa ‘maior funeral de todos’ para Ali Khamenei Priorizar nos meus resultados Google

Quatro meses após a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, teve início nesta sexta-feira, 3, em Teerã, a cerimônia fúnebre que se estenderá por seis dias e passará por cinco cidades. As autoridades estimam que cerca de 35 milhões de pessoas acompanhem os atos, em uma demonstração de força política e religiosa.

Khamenei morreu aos 86 anos durante bombardeios conjuntos dos Estados Unidos e de Israel, que deram início à guerra em 28 de fevereiro. Seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu o posto de líder supremo em março.

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A despedida começou com uma cerimônia reservada na Grande Mosalla, na capital iraniana, destinada a integrantes do governo e líderes estrangeiras. O corpo de Khamenei foi levado ao local do velório oficial acompanhado por uma multidão formada, em grande parte, por familiares de vítimas da guerra, que, segundo dados oficiais, deixou 1.460 civis e 2.088 militares mortos.

Representantes de mais de 100 países são esperados nas homenagens. Entre as presenças confirmadas estão o primeiro-ministro do Paquistão, Shahbaz Sharif, que atuou como mediador nas negociações entre Teerã e Washington, e o ex-presidente russo Dmitry Medvedev. Nenhum representante europeu nem americano foi convidado para o funeral.

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Pessoas reunidas ao redor do caixão do líder supremo Ali Khamenei durante uma cerimônia antes de seu funeral em 3 de julho de 2026.
Pessoas reunidas ao redor do caixão do líder supremo Ali Khamenei durante uma cerimônia antes de seu funeral em 3 de julho de 2026. (Escritório do líder supremo iraniano/AFP)
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A partir de sábado, o velório será aberto ao público, seguido por dias de homenagens. Na segunda-feira, um cortejo fúnebre percorrerá as ruas de Teerã, antes de o corpo seguir para Qom, centro religioso da República Islâmica.

Na quarta-feira, as cerimônias serão realizadas no Iraque, com homenagens em Najaf e Karbala, duas das cidades mais sagradas para os muçulmanos xiitas. O sepultamento está previsto para quinta-feira no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, considerado um dos locais mais importantes do islamismo xiita.

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Os caixões do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e seus familiares são retratados na Grand Mosalla, em Teerã, em 3 de julho de 2026.
Os caixões do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e seus familiares são retratados na Grand Mosalla, em Teerã, em 3 de julho de 2026. (ATTA KENARE/AFP)

Com expectativa de cerca de 20 milhões de pessoas apenas em Teerã, o governo montou uma das maiores operações logísticas já realizadas na capital. Escolas, prédios públicos e instalações militares foram adaptados para receber visitantes, enquanto áreas abertas foram convertidas em estacionamentos para carros e ônibus.

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A realização do funeral meses após a morte do aiatolá contraria a tradição islâmica, que recomenda o sepultamento em até 24 horas. O adiamento foi atribuído às condições de segurança no país durante o conflito, quando as autoridades avaliaram que um funeral público colocaria em risco autoridades políticas e militares, consideradas alvos dos Estados Unidos e de Israel.

Na quinta-feira, autoridades do Irã alertaram os Estados Unidos e Israel contra qualquer ataque ao país durante o funeral de Estado.

“Advertimos os inimigos do Irã, especialmente os EUA e o regime sionista, para que evitem qualquer erro de cálculo e reflitam sobre a dura retaliação que nossas forças armadas aplicariam a qualquer ameaça e agressão contra nosso país”, afirmou Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya, em comunicado divulgado pela mídia estatal.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, fez advertência semelhante, prometendo uma resposta imediata a qualquer ameaça contra o país.

O funeral se dá em meio às negociações entre Irã e Estados Unidos, que encerraram uma nova rodada de conversas indiretas na quarta-feira, em Doha, sem sinais de progresso. De acordo com autoridades a par das discussões que conversaram com a agência de notícias Reuters, as delegações americana e iraniana, com intermédio do Catar, se concentraram em questões que já haviam sido resolvidas pelo acordo provisório anunciado há duas semanas.

Durante os dois dias de diplomacia em Doha, durante os quais os negociadores de ambas partes realizaram encontros separados com mediadores cataris e paquistaneses, o principal tema à mesa foi o fluxo de navios que passam pelo Estreito de Ormuz — que deveria ter sido totalmente reaberto mediante o memorando de entendimento — e o descongelamento de fundos iranianos retidos em bancos no exterior — também já acertado, embora sem cronograma claro.

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