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Em crise diplomática, Macron e Biden marcam reunião para outubro

Anúncio foi feito quase uma semana após diplomacia francesa acusar o governo americano de 'apunhalar Paris pelas costas' em acordo envolvendo Austrália

Por Da Redação 22 set 2021, 14h18

A Casa Branca afirmou nesta quarta-feira, 22, que os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da França, Emmanuel Macron, irão se encontrar em outubro na Europa, em meio às profundas tensões diplomáticas entre os dois países por um acordo envolvendo a Austrália.

De acordo com um comunicado divulgado pela Casa Branca, os presidentes concordaram em abrir um processo de consultas aprofundadas “para garantir a confiança e propor medidas concretas em direção a objetivos comuns”.

Segundo a Presidência francesa, o mandatário francês afirmou que também pretende enviar na próxima semana seu embaixador de volta a Washington, após Biden, concordar em consultar Paris antes de anunciar um acordo de segurança com o governo australiano. O pacto teria como objetivo reforçar a cooperação em tecnologias defesa entre os países para fazer frente ao poder da China no Indo-Pacífico.

O anúncio foi feito quase uma semana depois de uma profunda turbulência diplomática, após a diplomacia francesa acusar o governo Biden de “apunhalar Paris pelas costas”. Na semana passada, a França convocou seus embaixadores nos EUA e na Austrália após Washington e Reino Unido assinarem um acordo de submarinos nucleares com a Austrália, fazendo com que o governo australiano descartasse um acordo anterior de bilhões de dólares em submarinos franceses.

Joe Biden em declaração à imprensa na Casa Branca, acompanhado por monitores que mostravam ao vivo os primeiros-ministros da Austrália, Scott Morrison, e do Reino Unido, Boris Johnson - 15/09/2021
Joe Biden em declaração à imprensa na Casa Branca, acompanhado por monitores que mostravam ao vivo os primeiros-ministros da Austrália, Scott Morrison, e do Reino Unido, Boris Johnson – 15/09/2021 Win McNamee/Getty Images

Na linguagem diplomática, um governo convoca seus embaixadores em outras nações quando quer demonstrar descontentamento nas relações. Em nota, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, afirmou que a decisão foi tomada diretamente por Macron e tem sua excepcionalidade “justificada pela gravidade dos anúncios”. 

O acordo assinado tem como objetivo reforçar a cooperação em tecnologias avançadas de defesa, como inteligência artificial, sistemas submarinos e vigilância de longa distância. Segundo a imprensa francesa, a nova parceria com os EUA e o Reino Unido significa o cancelamento de um contrato assinado pela Austrália com a França em 2016, que chegaria a 90 bilhões de dólares. 

Em resposta, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, chamou a França de “um parceiro vital” e disse que Washington ainda trabalharia “incrivelmente próximo” de Paris.

Já a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, minimizou as críticas francesas. “Há uma série de parcerias que incluem os franceses e algumas parcerias que não incluem, e eles têm parcerias com outros países que não nos incluem”, disse ela. “É como a diplomacia global funciona”.

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