Em campanha, Netanyahu diz que Israel não sairá de Gaza e ministro defende expulsar palestinos
Premiê israelense faz rara visita ao enclave, em tom de comício, e chefe da pasta de Defesa afirma negociar com Trump plano de migração forçada
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou nesta quarta-feira, 2, durante uma visita incomum à Faixa de Gaza, que não há intenção de retirar seus soldados das áreas que o Exército controla no território palestino.
Esta é a primeira visita de Netanyahu ao enclave devastado pela guerra desde que um cessar-fogo entrou em vigor em outubro de 2025, interrompendo os combates mais ativos entre Israel e o Hamas, mas sem pausar totalmente os bombardeios israelenses. Com tom de comício, a viagem ocorre em um momento em que o primeiro-ministro faz campanha para as eleições de 27 de outubro.
“Nós controlamos a área. Não estamos nos retirando. Vamos permanecer nesta linha”, disse Netanyahu, perto da chamada Linha Amarela, que demarca a zona sob comando do movimento islamista Hamas e o território sob controle dos militares israelenses. “Controlamos 60% da Faixa e não vamos parar, porque estamos eliminando os terroristas que nos ameaçam, e fazemos isso dia após dia. Ontem capturamos o chefe da segurança interna do Hamas”, acrescentou, segundo comunicado divulgado por seu gabinete.
Insatisfação da população
Israel terá eleições para escolher um novo governo e primeiro-ministro em 27 de outubro. Fossem elas hoje, Netanyahu, o mais longevo premiê, com 19 anos no cargo em três mandatos diferentes, perderia.
Por isso, está atento aos ânimos da população. Pesquisa realizada em junho mostra que 42% dos israelenses classificaram a situação de segurança no país como ruim ou muito ruim (piorando em relação aos 34% de maio) e apenas 20% a consideram boa ou muito boa (queda em relação aos 26% de maio). Além disso, 42% opõem-se ao plano proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para Gaza, que inclui a retirada gradual e integral das forças israelenses do enclave.
Outros 37% apoiam a retomada dos combates e a ocupação total de Gaza até destruir as capacidades do Hamas; 17% defendem manter a pressão atual.
Os ataques israelenses em Gaza continuam quase diariamente, apesar do cessar-fogo promovido pelos Estados Unidos. Israel mantém sua ofensiva e argumenta que precisa eliminar as ameaças do Hamas, que liderou o ataque sem precedentes de 7 de outubro de 2023 contra Israel. Ao menos 1.334 palestinos morreram na Faixa de Gaza desde o início do cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde local, e Netanyahu anunciou na terça-feira que, durante uma nova operação no enclave, as forças israelenses capturaram um alto comandante do Hamas, Muein al-Arabid, chefe da segurança interna do grupo.
Expulsão de palestinos
Também nesta quarta, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, um dos mais estridentes integrantes da coalizão de extrema direita que mantém Netanyahu no poder, afirmou que o governo tem planos para expulsar palestinos de Gaza, mas está esperando que os Estados Unidos decidam para onde levá-los.
“Em última análise, não existe uma verdadeira solução para Gaza sem esta migração”, declarou o ministro durante uma conferência organizada pelo site de notícias israelense Ynet. O governo israelense “está organizado e preparado para retirá-los de lá, por mar, por ar, por qualquer meio possível”, acrescentou.
Segundo ele, Trump, que chegou a fazer sugestões semelhantes mas recuou diante da imediata resistência internacional (e falta de países dispostos a receber os palestinos) apenas “congelou” a ideia. “O plano está sendo discutido o tempo todo, inclusive agora, e acredito que não haja outra solução para o bem de todos”, disse Katz.
Sem citar a fonte, o ministro declarou que 80% dos habitantes de Gaza desejam deixar o enclave, mas que o Hamas os impedia.
O deslocamento forçado de civis em território ocupado é considerado crime de guerra segundo as Convenções de Genebra.







