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Em ato após Covid, Trump ataca ‘vírus chinês’ e acena a negros e latinos

Presidente retomou a defesa do mote de "lei e ordem" e vinculou Joe Biden a episódios de quebra-quebra durante protestos antirracistas

Por Laryssa Borges Atualizado em 10 out 2020, 16h22 - Publicado em 10 out 2020, 15h53

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu centenas de apoiadores neste sábado, 10, pouco mais de uma semana depois de ter sido diagnosticado com Covid-19, fez promessas e acenos para eleitores negros e latino-americanos e atacou por diversas vezes o que chamou de “vírus chinês”. O primeiro evento presencial de Trump desde o anúncio de que foi infectado pelo novo coronavírus foi alvo de críticas porque, ao se postar de uma sacada da Casa Branca para discursar a apoiadores, passaria a imagem de desdém diante de uma pandemia que, apenas nos Estados Unidos, já matou mais de 214.000 pessoas.

“Não podemos permitir que nosso país se torne uma nação socialista. Não podemos permitir e é isso que aconteceria. Ou pior. Quero que vocês saibam que vamos derrotar o vírus chinês. Estamos produzindo medicamentos, curando os doentes e vamos nos recuperar. Uma vacina vai sair rapidamente. (…) Vamos erradicar o vírus chinês”, disse ele, sem máscara, a apoiadores aglomerados no gramado sul da Casa Branca. O público do primeiro discurso presencial de Trump foi escolhido a dedo: trata-se do grupo “Blackexit” (trocadilho com o movimento Brexit, que levou o Reino Unido a deixar a União Europeia) usado por ex-democratas que dizem que vão votar em Trump nas eleições de novembro. A seus apoiadores, Trump disse que não haverá novo lockdown e relatou o seu próprio estado de saúde: “estou me sentindo ótimo”.

Em aceno a eleitores negros e latinos, Donald Trump criticou o Obamacare, prometeu um sistema de saúde mais amplo e barato e mais geração de empregos para esta fatia do eleitorado, retomou a defesa do mote de “lei e ordem”, um dos principais pontos de sua campanha, e buscou vincular o adversário Joe Biden a episódios de quebra-quebra em comércios durante os protestos do movimento Black Lives Matter. Se Joe Biden chegar ao poder, disse, haverá uma “cruzada contra o policiamento”. “Fanáticos da esquerda e pessoas do mal vandalizaram lojas. Biden os chama de manifestantes pacíficos”, provocou.

“Todos os dias negros e latinos estão sendo deixados para trás por conta da ideologia de esquerda, uma ideologia falha que tem falhado por décadas. Os democratas com suas políticas nas cidades americanas só levaram calamidade, pobreza e problemas”, disse. “Os negros e latinos estão rejeitando a esquerda radical socialista e estão abraçando nosso movimento pró-policiamento, pró-América”, completou ele.

Mais uma vez o presidente dos Estados Unidos disse que “será finalizado” um muro para separar o país do vizinho México e insuflou a teoria conspiratória de que o sistema eleitoral americano não seria confiável. Conforme mostra a edição desta semana de VEJA, a poucas semanas da eleição, 5 milhões de americanos já enviaram antecipadamente sua cédula pelo correio, um recorde, em boa parte pelo temor de se contagiar com o coronavírus se comparecer a locais de votação. O voto postal tende a favorecer os democratas, mais propensos a votar em um país onde isso não é obrigatório.

“Quantas cédulas fraudadas estão sendo retornadas? Há muitos problemas com as cédulas, 50 mil em Ohio. Todo dia tem uma história com as cédulas, cédulas foram jogadas fora com o nome Trump nelas. A polícia está de olho. Eles estão fiscalizando tudo isso”, discursou. A menção a Ohio é proposital. Dos treze swing states, como são conhecidos os estados onde não há uma clara preferência do eleitorado por democratas ou republicanos, um dele é Ohio, que tem 18 delegados. Na segunda-feira, Donald Trump pretende fazer um discurso na Flórida, outro dos swing states.

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