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“Em 48 horas tudo estará acabado”, diz filho de Kadafi

Enquanto forças do governo aumentam o cerco contra os rebeldes, quatro repórteres do The New York Times são reportados desaparecidos no país

Por Da Redação 16 mar 2011, 18h28

Depois de uma escalada de vitórias do ditador líbio Muamar Kadafi nesta semana, seu filho Seif al Islam prevê que “em 48 horas tudo estará acabado”. Enquanto o regime aperta o cerco contra os rebeldes também nas cidades de Misrata e Ajdabyia nesta quarta-feira, o jornal americano The New York Times anuncia o desaparecimento de quatro de seus repórteres no país.

Seif disse nesta quarta que mesmo que o Conselho de Segurança da ONU aprove o pedido da Liga Árabe de estabelecer uma zona de exclusão aérea na Líbia, será “tarde demais”. “Uma resolução que seria contra quem e contra o quê? Em 48 horas teremos encerrado nossa operação militar. Já estamos às portas de Bengasi (capital dos insurgentes)”, declarou Seif em entrevista à rede de televisão Euronews, acrescentando que os rebeldes “estão fugindo” de Bengasi e outras cidades. “Há multidões tentando chegar à fronteira com o Egito”, e a eles é dito que “podem partir com plenas garantias de segurança, porque a Líbia já não lhes pertence”, afirmou.

Na entrevista, concedida em Trípoli, Seif, que chegou a ser designado por seu pai como o herdeiro do regime, negou que as forças governamentais cometerão um genocídio. “Não queremos matar, não queremos vingança. Fujam traidores, vocês são mercenários que cometeram crimes contra o povo da Líbia”, declarou. “Vamos promover reformas políticas quando recuperarmos a paz e a calma. Nós já queríamos realizar essas reformas e aprovar uma nova constituição com maiores liberdades, mas agora é o momento de lutar contra os terroristas”, disse.

Insurgentes – Contudo, um porta-voz do presidente do Conselho Nacional Transitório (CNT) líbio, Mustafá Abdel Jalil, afirmou que os rebeldes da Líbia manterão a luta pela mudança de regime no país, ainda que o governante Muamar Kadafi “vença a guerra” – o que eles consideram “muito improvável” no momento atual. Ele acredita que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovará nesta quarta o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia e aposta na eficiência da medida.

Abdel Jalil renunciou ao cargo de ministro da Justiça poucos dias depois que se iniciasse a revolta popular na Líbia no dia 16 de fevereiro e uniu-se às filas da rebelião passando posteriormente a ocupar a liderança do CNT, principal órgão de direção dos rebeldes.

Jornalistas – Entre os jornalistas desaparecidos do The New York Times está o chefe de redação do escritório de Beirute, Anthony Shadid, duas vezes vencedor do prêmio Pulitzer, o mais prestigiado do jornalismo americano. Os outros são Stephen Farrell, um repórter e cinegrafista que foi sequestrado pelo Talibã em 2009 e resgatado por comandos britânicos, e dois fotógrafos, Tyler Hicks e Lynsey Addario, ambos com longa experiência em trabalhos no Oriente Médio e na África. Eles foram contatados pela última vez no leste da Líbia, na manhã de terça-feira.

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A publicação informou ter recebido informações de que membros de sua equipe de reportagem na cidade portuária de Ajdabiya foram “levados por forças do governo líbio”. “Nós conversamos com oficiais do governo líbio em Trípoli, e eles nos disseram que estão tentando localizar nossos jornalistas”, informou o editor-executivo do periódico, Bill Keller, citado pelo jornal.

Um outro jornalista, dessa vez do britânico The Guardian, que estava preso no país desde o dia dois de março, foi liberado nesta quarta. O iraquiano Ghait Abdul-Ahad viajava com Andrei Netto, repórter brasileiro também detido e solto oito dias depois. Ambos já deixaram a Líbia.

Conselho de Segurança- Os 15 países-membros do Conselho de Segurança da ONU decidiram retomar, nesta quarta-feira, as negociações sobre o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia. O objetivo da medida seria impedir os bombardeios de aviões de guerra contra a população das áreas ocupadas pelos opositores do regime.

As negociações do projeto, apresentado pelo Líbano em colaboração com França e Reino Unido, foram suspensas na última terça-feira, já que os membros não conseguiram chegar a um consenso. A proposta autoriza a criação da zona e reforça as sanções impostas à Líbia no mês passado.

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(Com agência EFE e France-Presse)


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