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ELN reivindica autoria de ataque com carro-bomba em Bogotá

O final de semana foi marcado por manifestações na Colômbia; presidente do pais, Ivan Duque, participou de um dos atos

Por Da Redação - 21 jan 2019, 10h32

Em comunicado publicado nesta segunda-feira, 21, o Exército de Libertação Nacional da Colômbia (ELN) reivindicou a autoria do ataque que matou 21 pessoas em uma Academia de Polícia em Bogotá, desencaminhando as conversas de paz com o governo, conduzidas em Cuba.

Na última quinta-feira 18, um veículo equipado com 80 kg de explosivos foi dinamitado contra um dos alojamentos da Academia. Seu motorista, o especialista em bombas do ELN Jose Aldemar Rojasestá entre os mortos.

Segundo a guerrilha, o carro-bomba foi uma resposta ao desrespeito do presidente Ivan Duque a um cessar fogo declarado pelos rebeldes. Em seu site, o ELN se queixou de um bombardeio das tropas governamentais contra uma de suas bases no dia 25 de dezembro: “É desproporcional que enquanto o governo nos ataca nós não possamos responder com auto-defesa”, disse o comunicado, “a operação contra as instalações e tropas (da polícia) foi legal dentro da lei de guerra, em que não existem vítimas não combatentes.”

O atentado de quinta-feira representou um grande retrocesso em dois anos de conversa de paz, primeiro sediadas pelo Equador e agora por Cuba, que falharam em avançar depois que Duque assumiu o poder em agosto de 2018, exigindo que o grupo rebelde liberasse todos os seus reféns.

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No sábado 19, a Colômbia pediu que Cuba extraditasse negociadores do grupo rebelde que estavam em Havana para conversas. O presidente anunciou que emitirá pedidos de prisão contra 10 membros do ELN que são parte da delegação em Cuba, e que revogará “a resolução que cria as condições possibilitando sua residência livre no país natal.”

Cuba se esquivou da exigência de Duque, dizendo que manterá as regras acertadas antes das conversas começarem. Os protocolos de negociação garantem segurança para os líderes da guerrilha retornarem à Colômbia e proteção contra ataques militares por um período pré-acordado.

Memo depois do ataque, em sua nota o ELN propôs um “debate político dos problemas”, dizendo que “o caminho da guerra não é o futuro da Colômbia, e sim o da paz.”

A guerrilha ainda pediu que o governo volte para as conversas na capital cubana: “Presidente Duque, te lembramos que a melhor coisa para o país é enviar sua delegação de volta para a mesa de negociação, e dar continuidade ao processo de paz”, completou.

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Não ao Terrorismo

No domingo 20, milhares de colombianos tomaram as ruas do país pedindo paz e ecoando gritos de “não ao terrorismo”. A multidão preencheu a Praça Bolivar, em Bogotá, pelo fim da violência. Muitos usavam roupas brancas e balançavam bandeiras da mesma cor. 

O presidente Duque e seu antecessor, Juan Manuel Santos, participaram do ato: “esse é um símbolo de patriotismo, espírito coletivo e união”, disse o líder à Reuters, enquanto marchava. “Hoje nós estamos aqui como cidadãos comuns para rejeitar o terrorismo e a violência. Estamos honrando a memória daqueles heróis, daqueles meninos que foram maldosamente assassinados”, completou.

As vítimas do ataque à Academia de Polícia eram cadetes que tinham entre 18 e 23 anos. Durante sua campanha, Duque garantiu intensificar sua luta contra o grupo rebelde e gangues de tráfico que matam e sequestram civis. 

Houveram confrontos ao longo do trajeto dos manifestantes, quando alguns estudantes exigiram que o governo mantenha as negociações por paz abertas. “Não podemos deixar o governo instaurar o medo e promover o retorno da guerra e militarização”, disse à Al Jazeera o manifestante Julian Rodriguez.

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O ELN foi formado por padres católicos radicais em 1964. Com 2.000 combatentes, o grupo é considerado uma organização terrorista por Estados Unidos e União Europeia, e começou as conversas de paz com o governo do antigo presidente Juan Manuel Santos no início de 2017.

O incidente de quinta foi o mais letal desde que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) atacaram o clube de El Nogal, em Bogotá, no ano de 2003, matando 36 pessoas.

Explosões de carros eram frequentemente usadas durante as quase cinco décadas de guerra civil no país, mas os atos violentos, que já mataram cerca de 260.000 pessoas na Colômbia, diminuíram muito desde 2016, quando um acordo de paz foi assinado com as FARC.

Depois que as FARC ganharam o status de partido político, o ELN, de menor porte, é considerado o último grupo armado ativo no país.

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(com Reuters)

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