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Eleições presidenciais ocorrem em clima de apatia no Haiti

Eleitores também escolhem 11 senadores e 99 deputados em meio a um surto de cólera no país, cuja infraestrutura já havia sido destruída por um terremoto

Por Da Redação 28 nov 2010, 08h03

Cerca de 4,7 milhões de haitianos estão aptos a votar nas eleições presidenciais e legislativas deste domingo. Contudo, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a participação esperada não chega a 40% deste grupo, já que o voto é facultativo no país. A desesperança de uma nação que ainda se recupera de um terremoto devastador, em janeiro de 2010, somada à falta de informação sobre o contágio do cólera, que já matou 1.600 pessoas na ilha caribenha, explicam, em parte, a apatia dos eleitores.

As autoridades locais tentam reverter este quadro e estimular os cidadãos a comparecer às seções eleitorais no pleito mais importante da história recente, em que o país urge por uma liderança competente e capaz de levá-lo ao caminho da reconstrução. Entre as medidas governamentais, está a instalação de urnas em campos de refugiados da capital, Porto Príncipe, já que 1,5 milhão de pessoas vivem nestas áreas desde o terremoto.

Depois dos tremores, que deixaram cerca de 300.000 mortos, um surto de cólera atingiu o Haiti. Enquanto o número de infectados pela doença crescia, mais uma tragédia era registrada no país mais pobre das Américas: a passagem do furacão Tomas, em 5 de novembro, deixou ao menos 20 mortos, 36 feridos e 6.000 família desabrigadas.

Os motivos da abstenção – Acreditando que o cólera é transmitido pelo contato direto – por pura falta de informação -, muitos haitianos vão deixar de votar para não correr riscos de contágio diante da multidão. Contudo, a infecção intestinal, causada por uma bactéria, é contraída principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados.

A epidemia desencadeou ainda uma onda de violência, que também alimenta um clima de apreensão no país. Boatos de que a doença foi levada ao Haiti pela missão nepalesa da ONU enfureceram a população. A polícia chegou a disparar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que montaram barricadas e atiraram pedras em veículos das Nações Unidas. Duas pessoas morreram.

Em meio à série de tragédias na ilha, outros milhares de cidadãos não vão às urnas simplesmente porque perderam todos os seus documentos e, portanto, não podem votar.

Oito dias antes das eleições, quatro dos dezoito candidatos à presidência pediram, sem sucesso, o adiamento do pleito devido a todas as mazelas enfrentadas pelo país. Coincidências a parte, nenhum deles tem chance de se eleger.

Os canditatos – Apesar de as pesquisas de intenção de voto no Haiti serem notoriamente pouco confiáveis, os recentes levantamentos apontam três favoritos com chances reais de vencer: o governista Jude Célestin, apoiado pelo presidente René Préval, que deixa o poder; a ex-primeira-dama, professora universitária e candidata oposicionista Mirland Manigat; e o músico Michel Martelly, considerado um “outsider no mundo político”.

Mas, se nenhum dos candidatos conseguir mais de 50% dos votos, um segundo turno será realizado em janeiro de 2011. Os resultados desta primeira fase da eleição, que também definirá os nomes de todos os 99 deputados e 11 dos 30 senadores, devem sair até o dia 7 de dezembro.

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