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Eleições presidenciais na Síria são convocadas para junho

Lei determina que candidatos devem morar no país há pelo menos dez anos. Com isso, opositores ficam impedidos de concorrer, pois muitos estão exilados

Por Da Redação 21 abr 2014, 08h55

(Atualizada às 17h50)

As eleições presidenciais na Síria foram convocadas para o próximo dia 3 de junho, anunciou nesta segunda-feira o presidente do Parlamento, Mohammed Laham, em uma sessão transmitida pela televisão oficial – informa a rede Al Jazeera. Laham também assinalou que o registro de candidatos para a realização deste pleito será aberta amanhã e se estenderá até o próximo dia 1º de maio. De acordo com o político apoiador do ditador Bashar Assad, a votação será realizada em uma só jornada, das 7h até 19h.

O governo Americano classificou o plano do ditador sírio de realizar eleições de “paródia de democracia”, usando os mesmos termos empregados na semana passada pela União Europeia para definir o pleito. “Convocar um referendo ‘de fato’ é uma atitude vazia, uma vez que o regime continua a massacrar o eleitorado que pretende representar”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, também condenou o anúncio do regime Assad ao afirmar que a pretensão de realizar eleições sabota a tentativa de se chegar a um acordo que encerre a guerra civil que devasta o país há três anos e já matou mais de 150.000 pessoas.

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Bashar Assad chegou ao poder no dia 17 de julho de 2000, uma semana depois da morte de seu antecessor no cargo, seu pai Hafez Assad. Em 2007, Assad foi reeleito através de um referendo para um segundo mandato de sete anos. Um detalhe: com 97,6% dos votos, maioria praticamente impossível de ser alcançada em um pleito limpo e justo. Desde que Hafez Assad assumiu a presidência, em 1971, quase todas as eleições presidenciais na Síria ocorreram através de referendos e com apenas um só candidato. A nova Constituição, aprovada em 2012, abriu espaço ao multipartidismo e, por consequência, para mais de um candidato presidencial. As eleições estavam previstas para serem realizadas neste ano, já que o mandato do atual presidente Assad termina no próximo dia 17 de julho e, de acordo com a Carta Magna, novas eleições devem ocorrer entre 60 e 90 dias depois.

Guerra civil – Difícil é imaginar como será possível organizar o processo eleitoral em um cenário de destruição. Três anos após o início da guerra civil da Síria, não há indicações de que o conflito esteja próximo do fim. Os confrontos entre os diversos grupos rebeldes e forças leais a Assad já deixaram, segundo as Nações Unidas (ONU), pelo menos 150.000 mortos e mais de 1 milhão de refugiados. Os esforços para promover um diálogo entre representantes do regime e da oposição não apresentaram avanços até agora. E o mediador da ONU para a Síria disse que as conversas não devem ser retomadas logo.

(Com agência EFE)

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