Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Eleição na Bolívia termina com Morales como favorito

(Atualizada às 19h05)

As eleições gerais da Bolívia terminaram neste domingo às 16 horas locais (17 horas de Brasília), oito horas após seu início, como define a lei, com o atual presidente Evo Morales como claro favorito nas pesquisas para conseguir seu terceiro mandato consecutivo. Quase seis milhões de bolivianos estavam registrados para comparecer às urnas.

Os eleitores também vão definir a formação da Assembleia Legislativa Plurinacional, escolhendo 36 senadores e 130 deputados. O Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Morales, deve manter a maioria no Congresso.

Caio Blinder: O triunfo do autoritário pragmático

As pesquisas de opinião indicam vitória do atual presidente já no primeiro turno. Para isso, ele deverá alcançar 50% mais um dos votos válidos ou pelo menos 40% com uma vantagem de 10% sobre o segundo colocado. Seus adversários, o empresário Samuel Doria Medina e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga apareceram bem atrás nos últimos levantamentos realizados. As pesquisas da última semana mostraram Morales com quase 60% das intenções de votos, com 40 pontos de vantagem para Medina.

Se o favoritismo de Morales se confirmar, ele pode se tornar o mandatário com mais tempo no comando do país, já que o terceiro mandato vai até 2020. Para permanecer no poder indefinidamente, Morales, eleito pela primeira vez em 2005, usou uma manobra respaldada pelo Judiciário subjugado. A Constituição boliviana permite apenas dois mandatos consecutivos, mas o presidente defende que o seu primeiro não entra na conta, porque o país foi ‘refundado’ com a nova Carta Magna de 2009.

Mesmo considerando que uma vitória folgada nas eleições deste domingo reforçaria o projeto de Morales no país, membros do gabinete do presidente e de seu partido admitem que não ter ninguém a ser enfrentado pode não ser bom para o país, destacou o jornal espanhol El País em artigo publicado neste domingo. “A necessidade de criar uma alternativa sólida que reforce a democracia parece primordial para muitos atores políticos do país, caso contrário, Morales não responderá a mais ninguém do que a ele mesmo”.

Leia também:

Bolívia inverte relógios como ‘símbolo de identidade’

Opositores alertam para uma possível piora na estrutura clientelar construída no país ao logo dos últimos anos e aumento do controle sobre a imprensa, cada vez menos independente. Doria Medina prometeu climpar o Judiciário corrupto enquanto Quiroga acenou com o combate ao crime organizado no terceiro maior produtor mundial de cocaína.

Em meio à retórica contra as classes dominantes, no entanto, Morales precisou ceder aos interesses dos empresários, principalmente na região de Santa Cruz, motor econômico do país. Enquanto prega contra o capitalismo, Morales recebe elogios de Wall Street por manter o superávit fiscal. Ao longo de oito anos, o país cresceu acima dos 5% em média, e o governo usou os recursos para financiar o seu “socialismo indígena”.

(Com agências France-Presse e Reuters)