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Eleição de Joachim Gauck à Presidência da Alemanha é puro trâmite

Berlim, 17 mar (EFE).- A eleição do pastor luterano e antigo dissidente da República Democrática Alemã (RDA) Joachim Gauck como novo presidente da Alemanha neste domingo pela Assembleia Federal será puramente um trâmite burocrático, diante do arrasador respaldo do Governo e da grande maioria da oposição.

Será a primeira vez na história da República Federal da Alemanha que um candidato à chefia do Estado é apoiado por mais de 1 mil dos 1.240 membros que compõem a Assembleia Federal, formada pelos 620 deputados do Bundestag, a câmara baixa, e pelos delegados dos 16 Parlamentos regionais.

Indicado pela oposição social-democrata (SPD) e os Verdes, sua candidatura foi avalizada posteriormente pelo Partido Liberal (FDP), membro da coalizão governamental, e a União da Democracia Cristã e a Social Democracia Cristã bávara (CDU/CSU), que lidera a chanceler, Angela Merkel.

Para surpresa de todos, Merkel renunciou ao candidato próprio e cedeu à pressão da oposição dois dias depois da renúncia em fevereiro do ex-chefe do Estado, o democrata-cristão Christian Wulff, acossado por escândalo de corrupção e tráfico de influência.

Com Wulff, a chanceler sofria a segunda baixa presidencial em menos de dois anos, após a renúncia em 2010 do anterior governante, o também democrata-cristão Horst Köhler, pela polêmica gerada por suas declarações sobre as missões militares alemães no exterior.

Sobre os ombros de Gauck pesa agora a responsabilidade de devolver à Presidência da Alemanha, um cargo simbólico e representativo, a autoridade moral perdida, apesar da grande maioria dos alemães considerá-lo a pessoa ideal para função.

O prestígio de Gauck se baseia em sua rebelião contra o regime comunista da extinta RDA a partir de seu púlpito na germânica oriental cidade de Rostock, mas principalmente por seu trabalho após a queda do Muro de Berlim, como primeiro responsável pela custódia dos arquivos da Stasi, a ex-todo-poderosa Polícia política que controlava os cidadãos do Leste do país.

A escolha de Gauck, de 72 anos, fará com que a Alemanha tenha pela primeira vez em sua história dois dirigentes procedentes da extinta RDA e de confissão evangélica, a mesma origem da chanceler federal, Angela Merkel.

O pastor evangélico terá como única rival relevante na votação à caça-nazistas Beate Klarsfeld, candidata apresentada pela formação da Esquerda, partido que não foi convidado à reunião na Chancelaria para pactuar o aspirante majoritário. Com 124 delegados na Assembleia Federal, a Esquerda e sua candidata não tem chances.

Considerada como piada é a candidatura do líder de extrema-direita Olaf Rose, que sustenta, por exemplo, que Rudolf Hess, braço direito de Adolf Hitler, não cometeu suicídio aos 93 anos na prisão berlinense de Spandau, mas foi assassinado pelos aliados.

Rose é o candidato apresentado pelo ultradireitista Partido Nacional Democrata (NPD). EFE