APURAÇÃO DAS ELEIÇÕES 2026

⚡ Esquenta 10.10! Revista impressa com o MENOR PREÇO DO ANO! 🤑 Assine agora!

El Tigre ruge: o fator surpresa que embaralha a disputa presidencial da Colômbia

Abelardo de la Espriella avança brandindo ideias da direita radical

Por Ricardo Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 Maio 2026, 08h00
El Tigre ruge: o fator surpresa que embaralha a disputa presidencial da Colômbia Priorize VEJA no Google

A popularidade em baixa de Gustavo Petro trouxe justificadas esperanças à banda da tradicional direita colombiana de reaver a cadeira presidencial na Casa de Nariño, em Bogotá, ocupada por seus integrantes ao longo dos últimos 150 anos. O inédito governo à esquerda do ex-guerrilheiro não apenas foi permeado por escândalos e medidas de cunho populista, como frustrou o eleitorado ao não cumprir a ambiciosa promessa de “paz total”, plano que Petro brandia argumentando que, à base de muita conversa, convenceria os grupos armados que controlam vastos territórios de cultivo de coca a entregarem suas armas, o que previsivelmente não aconteceu. Cenário tão adverso para o mandatário parecia ideal para a ascensão de Paloma Valencia, do Centro Democrático, que aglutina a direita há tempos capitaneada pelo ex-presidente Álvaro Uribe. Mas eis que, às vésperas da eleição, em 31 de maio, quem tem mais se beneficiado da vacilante gestão esquerdista é um histriônico personagem, forjado nas franjas da extrema direita tão em voga planeta afora.

O figurino com que Abelardo de la Espriella, 47 anos, um empresário neófito na política, encara a queda de braço por poder faz lembrar o de muitos de seus colegas de América Latina. Advogado criminalista, com um currículo recheado de clientes enredados em corrupção e ligados a grupos paramilitares, o ultraliberal Espriella se inspira em próceres de mesmo matiz ideológico que têm levado a melhor nas urnas em nações vizinhas. Seu genérico programa de governo, intitulado “treze milagres para salvar o país”, contém ideias descaradamente importadas de Javier Milei, à frente de um ferrenho enxugamento da máquina estatal na Argentina. Até o apelido de Espriella, El Tigre, foi baseado em Milei, “El León”. Na área da segurança, a fonte maior é Nayib Bukele, o presidente de El Salvador que endureceu a guerra contra o crime organizado engolindo instituições e encarcerando altos quadros de gangues em megapresídios frequentemente acusados de atropelar direitos humanos. “Vou fumigar as plantações de coca e bombardear os vilarejos”, ruge na campanha El Tigre.

O GOVERNISTA - Cepeda: o candidato de Petro se beneficia da briga por terreno no campo da direita
O GOVERNISTA - Cepeda: o candidato de Petro se beneficia da briga por terreno no campo da direita (Juancho Torres/Anadolu/Getty Images)

O novato da vez ganha fôlego em meio a uma equação observada em vários outros países, onde a população se revela farta dos mesmos nomes que a cada pleito se repetem na cédula. “Espriella atrai uma parcela que não vota mais na esquerda, neste caso associada à violência das guerrilhas, mas também não quer apostar nos tradicionais políticos de sempre”, explica a historiadora Julimar Mora Silva, da UFF. Calcado na polêmica, ele surfa a onda conservadora, que recentemente se fez avassaladora no Chile e no Equador, impulsionado pelas redes sociais que a todo instante alimenta. A poucos dias da eleição o jogo segue embolado, tendo no lado oposto do ringue Iván Cepeda, o senador pelo Pacto Histórico, o partido de Petro, que preferia ter ficado longe do páreo. De perfil austero e militância na seara dos direitos humanos, Cepeda vem aparecendo na dianteira das pesquisas, com uns 35% das intenções de voto, enquanto Espriella e Valencia duelam pela segunda vaga, girando em torno de 20%. No segundo turno, a coisa embaralha e, se confirmado no confronto, Espriella se aproxima de Cepeda.

Continua após a publicidade

O ponto forte do postulante da esquerda é o apoio da turma mais jovem, que colhe frutos de uma reforma trabalhista aprovada no ano passado a qual acabou por ampliar direitos e elevar o salário mínimo. Já Espriella bate na tecla do combate à violência, bandeira especialmente cara a um país que atravessou anos de sangrenta batalha contra os cartéis de drogas nos anos 1990, e ventila uma aliança com os Estados Unidos de Donald Trump, de quem é entusiasta apoiador. A ver o que os colombianos pensam da metamorfose pela qual passou o novato que fez sacudir o tabuleiro do pleito que se avizinha. “Espriella morou a vida inteira em Miami e foi deixando de ser um liberal clássico, ateu e a favor do casamento gay para se tornar um personagem político”, afirma Laura Bonilla, vice-diretora da Fundação Paz e Reconciliação. De papel ou de verdade, El Tigre já mostra suas garras.

Publicado em VEJA de 22 de maio de 2026, edição nº 2996

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA ESPECIAL ELEIÇÕES

Digital Eleições

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês*
ECONOMIZE R$ 325 - 45% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*A assinatura inclui acesso ao site de VEJA, conteúdos exclusivos para assinantes e navegação com menos anúncios. Benefícios sujeitos às condições e à disponibilidade da assinatura.
*Pagamento único trimestral de R$ 5,97, equivalente a R$ 1,99/mês durante os 3 primeiros meses.