El Niño faz Panamá e El Salvador decretarem estado de emergência por seca
Fenômeno pode ser o mais intenso já registrado na história e já alterou o regime de chuvas na América Central
Panamá e El Salvador declararam estado de emergência nesta terça-feira, 25, diante dos impactos provocados pelo fenômeno El Niño, que desponta como o mais intenso já registrado na história e tem alterado o regime de chuvas na América Central.
No Panamá, o governo justificou a medida pela necessidade de acelerar procedimentos administrativos e facilitar a resposta aos efeitos econômicos e ambientais do fenômeno. O El Niño não só provocará inundações, como também acarretará “complexidades com (… ) a seca”, afirmou a ministra de Governo, Dinoska Montalvo.
A seca também afeta diretamente o funcionamento do Canal do Panamá, uma das principais rotas do comércio marítimo internacional. A via, responsável por cerca de 5% do comércio marítimo mundial, depende da água da chuva acumulada em dois lagos artificiais. A partir de 3 de setembro, o número de navios autorizados a atravessar diariamente será reduzido de 36 para 34. Em 15 de setembro, o limite cairá novamente, para 32 embarcações por dia.
As preocupações com a queda no volume do tráfego pelo canal são ainda maiores diante da guerra no Oriente Médio, onde o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, rota por onde passava um quinto do petróleo e gás consumidos no mundo, como retaliação contra os ataques dos Estados Unidos e Israel.
Impactos na agricultura
Em El Salvador, a Proteção Civil decretou “alerta vermelho (máximo) por seca meteorológica e agrícola em todo o território nacional”. A medida permite ampliar o monitoramento de fontes de água e áreas agrícolas, identificar comunidades em situação de maior vulnerabilidade e intensificar a vigilância epidemiológica. Segundo as autoridades, o país registrou 14 recordes de temperatura somente em agosto.
+ Serviço de meteorologia do Reino Unido emite alerta sobre El Niño: ‘Mais forte da história’
A escassez de chuva já provocou perdas nas lavouras salvadorenhas. O Ministério da Agricultura anunciou a distribuição de alimentos para famílias que tiveram prejuízos e não dispõem de sistemas de irrigação.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas advertiu que a América Central provavelmente será uma das regiões mais afetadas pelo El Niño em termos de aumento proporcional da insegurança alimentar. Do México ao norte do Brasil, cerca de 110 milhões de pessoas enfrentaram, em julho, o mês mais quente já registrado na região.
Em Honduras, a estiagem também atingiu plantações de milho e feijão, levando o governo a emitir alerta em quase 80% do território.







