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Egito ordena prisão de líder da Irmandade Muçulmana

Mohamed Badie é acusado de incitar a violência diante da Guarda Republicana

Por Da Redação 10 jul 2013, 09h36

A Procuradoria do Egito ordenou nesta quarta-feira a prisão do líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, sob a acusação de incitar a violência em frente à sede da Guarda Republicana, onde 51 pessoas foram mortas na segunda-feira, informou a agência de notícias estatal Mena. Outros altos integrantes da Irmandade também tiveram prisão decretada, incluindo o vice de Badie, Mahmoud Ezzat, e os outros líderes do partido Essam El-Erian e Mohamed El-Beltagi.

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Entenda o caso

  1. • Na onda das revoltas árabes, egípcios iniciaram, em janeiro de 2011, uma série de protestos exigindo a saída do ditador Hosni Mubarak, há trinta anos no poder. Ele renunciou no dia 11 de fevereiro.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em confronto com as forças de segurança de Mubarak, que foi condenado à prisão perpétua acusado de ordenar os assassinatos.
  3. • Uma Junta Militar assumiu o poder logo após a queda do ditador e até a posse de Mohamed Mursi, eleito em junho de 2012.
  4. • Membro da organização radical islâmica Irmandade Muçulmana, Mursi ampliou os próprios poderes e acelerou a aprovação de uma Constituição de viés autoritário.
  5. • Opositores foram às ruas protestar contra o governo e pedir a renúncia de Mursi, que não conseguiu trazer estabilidade ao país nem resolver a grave crise econômica.

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Gehad El-Haddad, porta-voz do Partido da Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana, disse que as acusações contra Badie e os outros líderes da organização são “nada mais que uma tentativa da polícia do estado de desmantelar o protesto Rabaa”, em referência aos protestos na mesquita de Rabaa al-Adawiya, no nordeste do Cairo, pela restituição de Mohamed Mursi, deposto da Presidência pelo Exército na semana passada.

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Há versões conflitantes sobre o que aconteceu na segunda-feira diante da sede da Guarda Republicana. A Irmandade Muçulmana afirma que as Forças Armadas dispararam indiscriminadamente contra os manifestantes que estariam rezando em frente ao quartel, onde eles acreditam que está detido Mursi. O Exército, por sua vez, diz que apenas respondeu ao ataque de terroristas que usavam armas de fogo contra os soldados. Pelo menos 50 partidários de Mursi e um soldado foram mortos no incidente

Na última sexta-feira, Badie apareceu no protesto e disse à multidão: “Devemos continuar nas ruas até trazermos o presidente Mursi de volta ao poder”. Ele disse que os protestos “continuariam pacíficos” e pediu para o Exército “não apontar suas armas contra eles”.

Golpe – Depois de um ano de mandato, Mursi foi deposto na semana passada em um golpe militar que se seguiu a protestos de milhões de egípcios. Os manifestantes pediam a renúncia do primeiro presidente eleito democraticamente, acusado de autoritarismo, falhas na manobra da crise econômica do país e de tentar islamizar o Egito. Após o golpe, a Irmandade Muçulmana convocou protestos contra o episódio que, como na segunda-feira, resultaram em violentos confrontos entre apoiadores e adversários de Mursi.

Após a destituição de Mursi, os militares designaram Adly Mansour como presidente interino. Com dificuldades para formar um gabinete temporário, Mansour fez várias tentativas até chegar ao nome do ex-ministro de Finanças Hazem al-Beblawi como premiê interino. Ele também anunciou o líder da oposição Mohamed El-Baradei como vice-presidente do governo de transição. Ahmed al-Muslimani, porta-voz da presidência, disse que Beblawi vai oferecer cargos do gabinete temporário à Irmandade Muçulmana e aos salafistas do partido Nour. “Não há nenhum obstáculo para que essas duas formações participem do gabinete”, disse Muslimani. A Irmandade, contudo, já afirmou que não aceitará a oferta.

Eleições – Ao retirar Mursi do poder, os militares suspenderam a Constituição. Dois comitês designados para alterar a Carta Magna têm quatro meses e meio para redigir um novo texto. Aprovada às pressas no final do ano passado, a Constituição foi um dos principais motivos de insatisfação que levou manifestantes às ruas contra o governo de Mohamed Mursi. A Constituição foi escrita por uma maioria de radicais islâmicos, depois que os seculares se retiraram das sessões da Assembleia Constituinte em protesto contra a supressão de vários artigos, como o que dava às mulheres os mesmos direitos dos homens. O texto passou por um referendo, do qual participaram apenas 33% do eleitorado. Eleições parlamentares devem ser realizadas quinze dias depois da aprovação da nova Constituição. E novas eleições presidenciais devem ser convocadas depois da formação do novo Parlamento.

(Com agência Reuters)

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