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Egito liberta fotojornalista Shawkan, preso desde 2013

Jornalista foi detido quando cobria manifestações de rua a favor do ex-presidente Mohammed Morsi, deposto por militares ; prisão provocou protestos mundiais

O fotojornalista Mahmoud Abu Zeid, conhecido como Shawkan e preso desde 2013 no Egito, foi libertado nesta segunda-feira, 4. Ele foi detido enquanto fotografava um protesto realizado na praça Rabaa Al-Adawiya, no Cairo, por apoiadores do ex-presidente Mohammed Morsi, que havia sido deposto por militares naquele ano. Na ocasião, Shawkan captou a repressão da polícia aos manifestantes.

“Fomos presos nos primeiros 30 a 40 minutos após o início dos confrontos com a polícia”, contou o fotógrafo à agência de notícias AFP, recordando que a prisão foi “uma experiência que nunca irá esquecer”. Segundo seu advogado, Taher Abul Nasr, Shawkan foi liberado às 6h (1h no horário de Brasília) da delegacia de Al Haram, perto da pirâmide de Gizé, e foi para casa. Lá, ele concedeu uma entrevista em que afirmou que pretende continuar trabalhando como fotojornalista. Ao seu lado, sua mãe Reda Mahrous, de 61 anos, declarou que “sempre disse a ele para evitar esse tipo de problema, mas ele sempre afirmou que ‘tinha o jornalismo no sangue'”.

Durante os próximos cinco anos, Shawkan terá que respeitar um controle judicial e será obrigado a dormir na delegacia do seu bairro todas as noites.

Em setembro passado, Shawkan foi condenado a cinco anos de prisão, tempo que coincidia com o período em que já tinha ficado preso. No entanto, ele permaneceu encarcerado por vários meses além de sua sentença, pois sua situação não havia sido regularizada pela administração penitenciária.

Em maio de 2018, o fotojornalista ganhou o prêmio mundial pela liberdade de imprensa da Unesco. Várias ONGs internacionais lutaram incansavelmente para garantir sua libertação, denunciando através de seu caso uma atitude repressiva do poder contra a mídia no Egito. O coordenador do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) para o Oriente Médio e África do Norte, Sherif Mansour, pediu que as “autoridades (egípcias) acabassem com o tratamento odioso a este jornalista, suprimindo toda condição à sua liberdade”.

Aos olhos das organizações internacionais de defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa, Shawkan se tornou um símbolo por denunciar a atitude repressiva do poder contra os veículos de comunicação no Egito. Fotos do jornalista atrás das grades, com as mãos na frente do rosto, fingindo segurar uma câmera, circularam maciçamente nas redes sociais, acompanhadas de pedidos de libertação.

Mohamed Mursi, eleito em 2012 após as revoltas de 2011 que puseram fim ao regime de Hosni Mubarak, foi derrubado pelo Exército após um ano no poder. Eleito presidente em 2014 e reeleito em 2018, Abdel Fattah El-Sissi, ex-chefe das Forças Armadas e arquiteto do golpe contra Mursi, é acusado por organizações humanitárias de instituir um regime apoiado pela repressão.

(Com AFP)