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Egito inicia campanha eleitoral para escolher o presidente

A menos de um mês do 1º turno - a ser realizado em 23 e 24 de maio -, ainda não está claro quais serão as prerrogativas do 1º líder eleito após queda de Mubarak

Por Da Redação 30 abr 2012, 16h49

O Egito abriu oficialmente nesta segunda-feira a campanha para eleições presidenciais. Falta menos de um mês para a realização do primeiro turno das eleições (23 e 24 de maio), mas ainda não está claro quais serão as prerrogativas do primeiro presidente eleito após a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.

Ainda não se sabe se o Egito optará por um sistema semipresidencialista ao estilo francês ou se a Irmandade Muçulmana, que controla o Parlamento, tentará esvaziar a Presidência se vir que seu candidato não tem chances de ganhar. A Junta Militar que governa provisoriamente o país deixou claro que a redação de uma nova Constituição, que defina o sistema político, é imprescindível antes da realização de eleições e da entrega do poder, no dia 30 de junho. No entanto, desde a queda de Mubarak, o país vive em uma constante tensão, o que torna imprevisível o desenrolar da corrida eleitoral e de seus resultados.

Candidatos – Três candidatos contam atualmente com maiores chances de vitória: o ex-secretário-geral da Liga Árabe Amre Moussa, o islamita moderado Abdelmoneim Abul Futuh e o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi. Há apenas duas semanas, o tabuleiro político continha peças radicalmente diferentes, mas a Junta Eleitoral eliminou da competição alguns candidatos por descumprimento dos requisitos.

Após a exclusão do xeque salafista Hazem Abu Ismail e do ex-vice-presidente Omar Suleiman, os islamitas mais radicais e os nostálgicos do antigo regime ficaram sem seus representantes mais populares. A princípio, o voto laico e anti-islamita, que inicialmente poderia favorecer Suleiman, irá parar nas mãos de Moussa, enquanto o voto religioso será repartido entre Abul Futuh e Mursi.

Uma enquete do Centro Al-Ahram para Estudos Políticos e Estratégicos publicada nesta segunda-feira dá a Moussa o primeiro lugar com 41,1% das intenções de voto, seguido por Abul Futuh, com 27,3%. No entanto, o pouco mais de 3% que Mursi obteria diminui a credibilidade da pesquisa divulgada pelo centro a cada semana, que indicou mudanças bruscas e sobressaltos na corrida presidencial até o momento. Nas últimas horas, Abul Futuh, que foi expulso da Irmandade Muçulmana no ano passado após se apresentar como candidato a presidente, recolheu apoios os mais variados.

Apoios – No fim de semana, o partido salafista Al Nour decidiu respaldar Abul Futuh. Hoje ele recebeu o apoio do grupo islamita radical Gama Islamiya. O dirigente do grupo, que até os anos 90 recorreu à violência, Tareq al Zomor, afirmou que a Executiva do partido Construção e Desenvolvimento (braço político da Gama) votou com uma percentagem de 64,36% a favor de Futuh.

Junto ao apoio da Gama Islamiya, Abul Futuh recebeu também nesta segunda-feira o respaldo de um dos jovens “heróis” da revolta de 25 de Janeiro, o executivo do Google Wael Ghonim. Ghonim, que ficou famoso por criar no Facebook um dos grupos que reanimaram os protestos anti-Mubarak, escreveu nesta mesma rede social que respalda Abul Futuh por várias razões. “Ele será presidente para todos, nos une, e não nos divide”, destacou.

A união de islamitas, revolucionários e intelectuais aumenta as chances de Abul Futuh. Enquanto isso, Mursi sofre com o estigma de ‘candidato reserva’ da Irmandade Muçulmana, após a desqualificação do autêntico homem forte do grupo, Jairat al Shater. Com três candidatos competitivos, é bastante possível que disputa seja decidida em segundo turno, nos dias 16 e 17 de junho.

(Com agência EFE)

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