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Egito: humorista acusado de insultar presidente é solto

Prisão eleva temor de que regime aumente repressão a opositores

Por Da Redação - 31 mar 2013, 14h35

Promotores egípcios interrogaram neste domingo o mais famoso humorista do Egito, Bassem Youssef, acusado de insultar o presidente Mohamed Mursi e o Islã. O caso ampliou o temor da oposição de que a repressão aos dissidentes cresça no país. Youssef se entregou depois que o procurador-geral emitiu uma ordem de prisão contra ele, no sábado. Ele foi libertado sob fiança de 15.000 libras egípcias (aproximadamente 4.500 reais), disse um funcionário do gabinete da Procuradoria.

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Youssef se tornou conhecido no Egito e no mundo com um programa humorístico on-line depois do levante popular que levou à derrubada de Hosni Mubarak, em 2011. Seu programa – que é comparado ao do americano Daily Show, do humorista Jon Stewart – está sendo agora exibido pela TV egípcia. O comediante é acusado, entre outras coisas, de minar a posição do presidente Mohamed Mursi. O procurador-geral emitiu a ordem de prisão após pelo menos quatro ações judiciais de partidários de Mursi.

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Além da investida contra Youssef, cinco ordens de prisão já haviam sido emitidas contra ativistas políticos, acusados de incitar a violência contra a Irmandade Muçulmana, grupo que levou Mursi ao poder na última eleição. “Essa é uma tentativa de restringir o espaço para a expressão crítica”, disse Heba Morayef, diretora da Human Rights Watch no Egito. O líder opositor Mohamed El-Baradei afirmou que esse é o tipo de ação vista somente em “regimes fascistas”. “É a continuação dos atos feios e fracassados para frustrar a revolução”, acrescentou.

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Economia – Uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) deve chegar ao Egito na quarta-feira para outra rodada de conversas relacionadas a um empréstimo de 4,8 bilhões de dólares, segundo informou um porta-voz do governo neste domingo. O empréstimo é considerado o último recurso para evitar uma crise no balanço de pagamentos do Egito e recuperar a imagem do país perante os investidores estrangeiros. Segundo o porta-voz Alaa El Hadidi, o governo espera chegar a um acordo final com o FMI nesta semana, tendo em vista o estado de rápida deterioração da economia.

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O Egito, atualmente sem data para uma eleição oficial, tem sofrido com um drástico declínio de investimentos estrangeiros nos últimos dois anos, desde os conflitos que resultaram na saída de Mubarak. A agência de classificação de risco Moody’s reduziu no último dia 21 de março o rating dos títulos soberanos do Egito de B3 para Caa1, com perspectiva negativa, aprofundando o país no grau especulativo. A Moody’s justificou a ação citando a economia enfraquecida do país, o maior risco de default e a contínua incerteza em torno da capacidade do governo de garantir apoio financeiro do FMI.

(Com agências Reuters e Estadão Conteúdo)

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