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Egito: governo adia mais uma vez retirada de manifestantes

Gabinete também prolongou formalmente a detenção do presidente deposto Mohamed Mursi - que continua incomunicável em local não divulgado

Por Da Redação 12 ago 2013, 20h04

O governo interino do Egito recuou pela terceira vez da decisão de retirar manifestantes favoráveis ao presidente deposto Mohamed Mursi que estão acampados em duas praças do Cairo. Os apoiadores de Mursi rejeitam o gabinete apontado pelo Exército e exigem a volta do membro da Irmandade Muçulmana ao poder. Em resposta a esta exigência, o governo temporário também prolongou formalmente a detenção de Mursi por mais 15 dias – um procedimento padrão que pode se repetir indefinidamente, informou o jornal americano The New York Times. O ex-presidente é mantido em local não divulgado desde sua queda, no dia 3 de julho.

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O governo temporário também determinou que Mursi seja investigado por acusações relacionadas às suas atividades durante a revolução que derrubou seu antecessor, Hosni Mubarak. No dia 26 de julho, ele teve a prisão preventiva decretada, por uma série de acusações, incluindo a morte de soldados e conspiração com o Hamas, que o ajudou a escapar da prisão em 2011 – vários membros da Irmandade Muçulmana foram detidas durante a ditadura de Mubarak.

Na noite de domingo, funcionários do Ministério do Interior disseram que uma operação para tirar os manifestantes das praças teria início nesta segunda, em um processo gradual. Mas nada aconteceu. O temor era de que um novo choque entre civis e forças de segurança pudesse resultar no derramamento de sangue visto no final do mês passado, quando mais de setenta pessoas morreram e centenas ficaram feridas no Cairo.

O ministro de Relações Exteriores Nabil Fahmy disse que as ocupações não podem durar “eternamente”. “Isso terá de ser resolvido em breve, seja pelo diálogo ou pela lei”, afirmou à rede britânica BBC, acrescentando que as autoridades buscam um acordo com os manifestantes há três semanas. “Se a força policial tomar uma atitude, o fará de acordo com a lei, seguindo uma ordem judicial”.

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