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Egito: ex-premiê volta ao Cairo e nega rapto

Família acusou as autoridades egípcias de terem sequestrado Ahmed Shafiq; por telefone ele negou as acusações

Por Carolina Marins - 4 dez 2017, 12h25

Dias após anunciar a intenção de concorrer à presidência do Egito, o ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq, que estava há cinco anos exilado nos Emirados Árabes Unidos, foi deportado de Abu Dhabi, retornou ao Cairo, foi dado como desaparecido e reapareceu.

Shafiq deixou os Emirados no sábado, mas como não foi visto pela família desde que retornou ao seu país natal, a filha do ex-premiê acusou as autoridades egípcias de o terem sequestrado . Em entrevista ao vivo por telefone à televisão local, no entanto, o presidenciável negou as acusações no domingo à noite.

A história permanece envolta em mistério, e nem mesmo o motivo pelo qual o ex-primeiro-ministro foi deportado foi explicado, mas as suspeitas recaem sobre o vídeo veiculado pela rede Al Jazeera no qual ele declara que pretende se candidatar à presidência. Nele, Shafiq afirma que planejava fazer uma viagem europeia para promover a sua campanha e acusa as autoridades dos Emirados Árabes de o impedirem de sair do país.

“Fiquei surpreso ao saber que estou impedido de sair dos Emirados Árabes Unidos, por razões que não entendi e não estou disposto a entender”, disse ele em sua declaração. “Eu rejeito qualquer intervenção nos assuntos do Egito que me impeça de participar de um direito constitucional e de uma santa missão para servir meu país”.

Pelo Twitter, o ministro de Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, negou que houvesse qualquer obstáculo para a saída de Shafiq do país. “[Shafik] se refugiou nos Emirados Árabes Unidos e fugiu do Egito após os resultados das eleições presidenciais de 2012. Nós o apresentamos a todas as facilidades e hospitalidade generosa apesar das nossas severas reservas sobre algumas de suas posições”, disse Gargash.

Logo em seguida à veiculação do vídeo, a advogada de Shafiq, Dina Adly, postou no Facebook que seu cliente havia sido preso e seria deportado. O presidenciável chegou ao Cairo no sábado à noite (horário local) e testemunhas disseram tê-lo visto entrar em um Mercedes no aeroporto. Um jornal estatal afirmou que ele havia feito registro em um hotel.

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Após perder as eleições para Mohammed Morsi em 2012, Shafiq se exilou nos Emirados Árabes Unidos. Durante o exílio, ele foi condenado no Egito por corrupção. Em 2014, Morsi foi deposto por militares e substituído por Abdul Fattah al-Sisi e Shafiq foi absolvido das acusações. Shafiq foi primeiro-ministro por apenas um mês no governo de Hosni Mubarak durante a Primavera Árabe.

 

Acusação de sequestro

Em gravação de voz enviada pela filha do candidato, Amira Ahmed Shafiq, à agência de notícia Bloomberg, ela afirmou que seu pai havia sido sequestrado e que seu direito de ter acesso a um advogado estava sendo negado. Ela expressou a intenção de processar as autoridades egípcias.

No entanto, em entrevista ao vivo por telefone a um canal egípcio, Shafiq negou que pudesse ter sido sequestrado e garantiu que estava hospedado em um hotel, mas não informou qual.

No domingo, a advogada de Ahmed Shafiq disse que o havia encontrado em um hotel no Cairo e que ele estava em ótimo estado de saúde. O motivo pelo qual ele preferiu ir a um hotel em vez de se encontrar com a família é desconhecido.

Segundo a mídia egípcia, outro possível candidato a presidência, Coronel Ahmed Konsowa, foi preso. O coronel teria tentado se demitir das forças armadas para poder concorrer ao cargo de presidente, no entanto, teve seu pedido negado. De acordo com o jornal Al-Mesryoon, ele está sendo investigado por “publicar um vídeo politicamente afiliado e abusar de seu cargo militar”.

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