Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Egito deve ter eleição presidencial antes da parlamentar

Fontes ligadas ao governo confirmaram que há negociações para alteração do calendário eleitoral do país

Por Da Redação 30 dez 2013, 10h21

O governo egípcio provavelmente convocará eleição presidencial antes das parlamentares, disseram duas fontes do governo do Cairo na segunda-feira. Ambos os funcionários não foram identificados pela agência Reuters. Com isso, reformulando o cronograma político, o comandante militar Abdel Fattah al Sisi poderá ser eleito chefe de Estado em abril. De acordo com o ‘mapa’ (cronograma político programático) apresentado depois do golpe que depôs o presidente islâmico Mohamed Mursi, em julho, as eleições parlamentares deveriam ocorrer antes da presidencial.

Apesar da mudança na agenda política que tende a favorecer Sisi, alguns políticos laicos defendem a alteração. Para eles, o país precisa de um líder eleito para comandar o governo numa época de crise política e econômica, e para forjar uma aliança política antes de uma eleição parlamentar que provavelmente irá polarizar ainda mais o Egito.

Leia também

Estudante é morto em confrontos no Egito

Confrontos no Egito deixam ao menos três mortos

As fontes ouvidas pela agência confirmaram que os políticos defensores da mudança no calendário usaram quatro reuniões recentes para pressionar o presidente interino, Adly Mansour, a adotar a alteração de datas. “As forças que participaram das reuniões concordaram, por grande maioria, em fazer a eleição presidencial antes, e isso significa que muito provavelmente a eleição presidencial será em primeiro lugar”, disse uma das fontes. Um oficial do Exército acrescentou: “A eleição presidencial provavelmente será realizada antes, como parece ser a exigência da maioria dos partidos até agora”.

O general Sisi é apontado como favorito para disputar a eleição, que não terá a participação da Irmandade Muçulmana, principal grupo político do país, mas duramente perseguido pelas autoridades desde a derrubada de Mursi, em julho. O presidente deposto e outros 132 dirigentes e membros de grupos islamitas estão sendo processados pela Justiça egípcia e respondem por diversas acusações, entre elas manter relações com o grupo radical palestino Hamas, fugir da prisão de Wadi Natrun – onde Mursi esteve preso durante a revolução de 2011, que derrubou o ditador Hosni Mubarak -, incendiar a cadeia e facilitar a fuga de presos.

Outras acusações contra Mursi são a agressão a funcionários do presídio e destruição de documentos. Ele responde ainda por suposto envolvimento na morte de manifestantes em frente ao palácio presidencial, em dezembro de 2012. Mursi está na prisão Burg al Arab, perto de Alexandria. A Irmandade Muçulmana afirma que as acusações contra seus dirigentes são politizadas e representam uma tentativa do Exército e das atuais autoridades egípcias de legitimar o golpe militar.

(Com agência Reuters)

Continua após a publicidade
Publicidade