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Egito adia resultado de eleições, ex-presidente em coma

Por Por Jailan Zayan - 20 jun 2012, 18h54

A comissão eleitoral do Egito adiou o anúncio dos resultados das eleições presidenciais previstos para quinta-feira, enquanto aumentavam as tensões sobre quem sucederá o presidente derrubado, Hosni Mubarak.

“A Comissão Eleitoral do Egito, dirigida pelo juiz Faruk Sultan, decidiu adiar o anúncio dos resultados do segundo turno”, informou a agência MENA no fim da noite desta quarta-feira, sem informar uma nova data.

O segundo turno aconteceu nos dias 16 e 17 de junho entre o último primeiro ministro de Mubarak, o general Ahmad Shafiq, e Mohammed Mursi, da Irmandade Muçulmana. Ambos proclamaram sua vitória.

A Comissão Eleitoral examinava hoje os recursos apresentados pelos advogados dos dois candidatos, envolvendo a violação das regras da campanha e a apuração dos votos, e disse que isto iria “requerer mais tempo até o anúncio dos resultados definitivos”.

O anúncio foi feito em meio às incertezas sobre a saúde de Mubarak, depois de uma enxurrada de matérias publicadas sobre a condição dele.

Mubarak “não está clinicamente morto”, declarou uma fonte médica à AFP. “Ele está em coma. Os médicos tentam reanimá-lo ele está respirando com a ajuda de aparelhos”, segundo esta fonte, o que foi confirmado por um membro do conselho militar do Egito, pedindo anonimato.

A televisão estatal colocou uma legenda dizendo que Mubarak estava em “coma e não clinicamente morto”.

A agência de notícias estatal MENA informou, anteriormente, que o ex-presidente deposto, de 84 anos foi declarado clinicamente morto depois de sofrer um derrame na prisão e ser transferido para um hospital.

As notícias sobre a condição de Mubarak foram feitas em meio a um cenário de caos político e legal.

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A Irmandade Muçulmana parecia trilhar um caminho de confrontação com o Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF) que fez uma nova declaração constitucional concedendo a si próprio amplos poderes.

O jornal estatal Al-Ahram resumiu o clima no país dizendo que o Egito estava vivendo “as 48 horas mais críticas em sua história.”

No começo da segunda-feira, a Irmandade disse que o candidato dela venceu o segundo turno e, na terça-feira, mostrou o que disse ser certificados de cópias da contagem de votos para ratificar suas reivindicações. Mas o rival de Morsi também reclama a vitória para si e sua equipe de campanha acusa a Irmandade de falsificar os números.

Um grupo de juízes independentes – chefiados pelo ex-chefe da União de Juízes, Zakaria Abdel Aziz, que monitorou o processo de votação, confirmou em uma coletiva de imprensa que Mursi venceu, de acordo com a contagem deles.

O novo presidente, independente do resultado, não terá o poder quase absoluto de que Mubarak desfrutou por quase três décadas, depois que o SCAF emitiu uma declaração constitucional no domingo, reivindicando amplos poderes.

O sucessor de Mubarak também herdará uma situação econômica complicada, o aumento da insegurança e o desafio de unir uma nação dividida pelas revoltas e suas consequências mortais.

O documento do SCAF diz que o Conselho irá retomar poderes legislativos do parlamento dominado pelos islamitas depois que a corte constitucional do país ordenou, na semana passada, a dissolução do parlamento.

Ele também dá poder ao conselho militar de vetar o rascunho de uma constituição permanente, irritando ativistas que denunciaram a declaração e uma ordem anterior que dava poder ao exército para prender civis.

A Irmandade insiste que o parlamento detém o poder legislativo e prometeu enfrentar as decisões do SCAF com “atividades populares”.

Na noite de terça-feira, a Irmandade apoiou um protesto massivo na Praça Tahir, no Cairo, que atraiu mais de 15 mil manifestantes, alguns comemorando a vitória de Mursi, outros, denunciando a ação militar.

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