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Egípcios elegem sucessor de Mubarak, deposto pela Primavera Árabe

Por Por Ines Bel Aiba e Christophe de Roquefeuil - 23 maio 2012, 11h05

Os egípcios compareciam nesta quarta-feira às urnas para escolher entre candidatos com visões islamitas ou laicas da sociedade o sucessor do presidente Hosni Mubarak, deposto em 2011 no ápice da “Primavera Árabe”.

Um policial morreu ao ser baleado no peito em um tiroteio iniciado entre partidários de dois candidatos diante de um centro eleitoral no nordeste do Cairo, e um civil ficou ferido na perna.

Trata-se do único incidente grave que se tinha conhecimento na votação deste primeiro turno, que viu longas filas de espera começaram a se formar diante dos centros eleitorais antes da abertura de suas portas, às 08h00 locais (03h00 de Brasília), protegidos por um grande dispositivo policial e militar.

Mais de 50 milhões de eleitores estão convocados às urnas para eleger entre 12 candidatos – islamitas, laicos, de esquerda ou liberais, partidários da “revolução” ou antigos líderes do regime Mubarak -, 15 meses após a queda do “rais”, “presidente” em árabe.

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“É um dia maravilhoso para o Egito”, declarou Nemedo Abdel Hadi, de 46 anos, que votou em uma escola do nordeste do Cairo.

“Seja qual for o resultado, o aceitaremos”, assegurou esta mulher, coberta por um véu integral.

“Não deixe que ninguém lhe diga por quem votar”, lançou o presidente do centro eleitoral às pessoas na fila, que aguardavam em um ambiente festivo.

Rania, uma jovem vestida com roupa esportiva e um boné de beisebol, disse ter um “sentimento agradável de diferença” porque “é a primeira vez na história do Egito que elegemos realmente nosso presidente”.

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A votação deste primeiro turno prosseguirá na quinta-feira. Se nenhum candidato conquistar a maioria absoluta, está previsto um segundo turno nos dias 16 e 17 de junho.

Os resultados são difíceis de prever, devido ao grande número de indecisos e da liberdade de escolha inédita da qual os eleitores dispõem depois de décadas de eleições decididas de antemão.

O Egito, peso pesado do mundo árabe com cerca de 82 milhões de habitantes, parece dividido entre a tentação islamita e uma normalização encarnada por personalidades saídas do antigo regime.

“Competem dois tipos de votos: o islamita e o da estabilidade”, afirmou à AFP Hicham Kasem, comentarista político.

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“Todas as combinações são possíveis para o segundo turno. Os resultados são altamente imprevisíveis”, acrescenta.

Os principais candidatos são o representante da Irmandade Muçulmana Mohamed Mursi, o islamita independente Abdel Moneim Abul Futuh, o último primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafiq, o ex-ministro das Relações Exteriores e antigo chefe da Liga Árabe Amr Musa e o nacionalista árabe Hamdin Sabahi.

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