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Egípcios analfabetos votam em sol, balança e cavalo

Sistema de símbolos ajuda iletrados a identificar candidatos nas cédulas

Por Da Redação 24 Maio 2012, 13h34

Um sol, uma balança, um cavalo, uma águia e uma escada de mão são alguns dos desenhos que aparecem nas cédulas eleitorais egípcias. Em função da elevada taxa de analfabetismo – cerca de 40% – o país adota, além das cédulas tradicionais, um sistema simbólico de identificação dos candidatos.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, egípcios iniciaram, em janeiro, sua série de protestos exigindo a saída do então presidente Hosni Mubarak.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em choques com as forças de segurança de Mubarak que, junto a seus filhos, é acusado de abuso de poder e de premeditar essas mortes.
  3. • Após 18 dias de levante popular, em 11 de fevereiro, o ditador cede à pressão e renuncia ao cargo, deixando Cairo; em seu lugar assumiu a Junta Militar.

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Até mesmo nas propagandas eleitorais espalhadas nas ruas, ao lado da foto dos candidatos aparece um desenho, o que facilita a identificação dos aspirantes à presidência. “Eu vou escolher a águia”, disse à Agência Efe Safaa Ibrahim, de 55 anos, enquanto esperava pacientemente para votar numa zona eleitoral no Cairo.

A eleitora se referia ao símbolo do candidato nasserista Hamdin Sabahi, em quem votaria por insistência de seu filho, “um revolucionário”. Para Safaa, os símbolos são imprescindíveis: “sem eles necessitaria da ajuda de alguém para preencher a cédula, e algum seguidor de outro candidato poderia tentar me enganar”.

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Emblema – Os ícones foram escolhidos em abril pela Comissão Suprema Eleitoral Presidencial, que definiu para os candidatos dos partidos o emblema de sua formação política e ofereceu novos desenhos aos independentes.

Desta forma, o candidato do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi, surge ao lado de uma balança, o ícone da legenda. Outro dos favoritos, o ex-secretário-geral da Liga Árabe Amre Moussa, elegeu o sol, enquanto o islamita moderado Abde Moneim Abul Futuh optou por um cavalo, e o ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq por uma escada de mão.

Alguns não ficaram satisfeitos com as figuras oferecidas pela Comissão Eleitoral, por isso solicitaram outros símbolos, como foi o caso de Sabahi, que escolheu a águia, ou do advogado revolucionário Khaled Ali, que se inclinou por uma árvore. Uma pirâmide, um carro, um relógio, um guarda-chuva e uma estrela são os outros símbolos da disputa eleitoral.

Interpretações – Nas redes sociais, as análises sobre os símbolos não demoraram, e os internautas concluíram que o cavalo de Abul Futuh significa que o candidato espera que o “Egito avance rápido”, a balança de Mursi procura “justiça”, enquanto a águia de Sabahi promete “fortalecer o país”.

Este sistema de voto foi elaborado na década de 1950, após a revolução dos Oficiais Livres que derrubou a monarquia, e nas últimas eleições legislativas foram usados mais de 200 desenhos.

De acordo com os juízes das zonas eleitorais consultados pela Efe em vários centros de votação do Cairo, o sistema é necessário para integrar os analfabetos no processo, mas não é suficiente para que eles participem de forma totalmente livre.

O baixo nível educacional dos egípcios, segundo eles, aumenta as possiblidades de manipulação eleitoral. E se existe algo em que a população do país concorda, é que além de restaurar a democracia e melhorar a economia e a segurança, é preciso reduzir o enorme índice de analfabetismo.

(Com agência EFE)

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