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‘É mágico’, diz desaparecido durante a ditadura argentina que reencontrou a família

A mãe de Guido Carlotto foi morta durante o regime e ele demorou 36 anos para reencontrar a avó, presidente do grupo Avós da Praça de Maio

Por Da Redação 8 ago 2014, 21h23

A avó e o neto estão finalmente juntos. Guido, neto da presidente da associação Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, concedeu na tarde desta sexta-feira uma entrevista coletiva em Buenos Aires para falar sobre o encontro dos dois.

“É algo maravilhoso e mágico o que está acontecendo comigo. Não é somente uma alegria minha. Eu sabia que essa resposta iria trazer alegria para muita gente. Quero que isso sirva para estimular a procura realizada por outras avós. (…) Há 48 horas sei quem sou. É um pouco novo isso”, disse. Ao lado do neto, Estela afirmou: “Agradeço à vida e a Deus por este presente”.

Na terça-feira, a Justiça argentina revelou que Ignacio Hurban, um músico de 36 anos, era na verdade Guido, nascido em 1978, durante a ditadura na Argentina, mas que nunca havia estado com a família. A avó esperou 36 anos para reencontrar o neto. A mãe de Guido, a militante Laura, foi morta pelos militares meses depois de dar à luz.

Nas décadas seguintes, ele foi criado por um casal da cidade de Olavarría, a 350 quilômetros de Buenos Aires). Já adulto, Guido – ou Ignacio – desconfiou da sua origem e há 18 dias resolveu se apresentar para um teste de DNA e comparar seu material genético com a base de amostras da associação. O resultado saiu na terça-feira e confirmou o parentesco com Estela, permitindo que ele pudesse começar a entender a sua história.

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Guido encontrou-se com a família biológica pela primeira vez na quarta-feira. “Foi maravilhoso. Quando existe amor o abraço é tão lindo”, resumiu. Ele explicou que há dois meses descobriu que havia sido adotado e quis descobrir quem eram seus pais biológicos. “São como ruídos na cabeça, uma mariposa de dúvidas. Existem coisas que você não sabe, mas que no fundo sabe. Basta que você pense, procure um indício que vai te levar a começar a busca”, disse.

Mesmo com a descoberta, ele afirmou que pretende continuar a ser chamado de Ignacio. “Estou acostumado com meu nome e vou continuar a usá-lo. Entendo que existe uma família que me chama de Guido há 30 anos. Me sinto confortável. Basicamente, estou muito, muito feliz”. Ele também elogiou os pais adotivos, que vivem em um ambiente rural. “Fui criado por um casal extraordinário, com o maior dos amores”, disse.

Coincidências – A descoberta da verdadeira origem de Ignacio pode ajudar a entender algumas de suas características, como o gosto pela música. Seu pai biológico, Walmir Oscar Montoya, que também foi assassinado pelos militares argentinos, era músico. “Sempre me perguntavam de onde vinha minha paixão pela música. Eu nunca soube responder. Agora sei”, comemorou.

Nos últimos dias, a imprensa argentina revelou outras coincidências. Em 2012, Ignacio comemorou em uma rede social a reunião de outro neto desaparecido com sua avó, o 106° identificado pela associação – ainda sem saber que ele seria o 114º. “As melhores coisas da vida não são coisas, neto 106”, escreveu ele na ocasião. Também foi revelado que o músico fez uma apresentação há quatro anos para sua avó durante um evento organizado pelas Avós da Praça de Maio.

Símbolo – Guido afirmou que, embora ainda esteja tentando absorver todas as novidades, compreende que seu caso vai ser visto como um “símbolo”. “É uma pequena vitória em meio a uma grande derrota”, disse, em referência ao fato de que ainda há centenas de filhos de presos políticos desaparecidos. O final feliz da história da família Carlotto fez o número de pessoas que procuram a associação disparar. Normalmente, o grupo é procurado por pouco mais de uma dezena de pessoas por dia. Na quinta-feira, mais de 500 pessoas entraram em contato. “Tenho sorte de ser parte desse pequeno processo de cicatrização”, finalizou Guido – ou Ignacio.

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