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Drama da fome devastou Chifre da África em 2011

Helen Cook.

Nairóbi, 20 dez (EFE).- Em 2011, a região do Chifre da África foi novamente um dos focos de atenção mundial devido a uma das piores crises de fome da sua história, que provocou a morte de milhares de pessoas.

A Somália foi o país que mais sofreu por causa do problema. Cerca de metade de sua população, ou 3,7 milhões de pessoas, foram atingidas pela fome. A situação foi agravada pela ausência de um governo de transição e os constantes ataques dos radicais islâmicos do Al Shabab.

Em 20 de julho, a ONU declarou estado de crise de fome em várias regiões da Somália. Até setembro, seis áreas no país já estavam nessa condição.

A combinação de seca, fome e um conflito de mais de 20 anos fez com que quase 300 mil somalis fossem obrigados a fugir para outras regiões da África, de acordo com números do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). A maior parte deles foi para campos de refugiados no Quênia.

O maior deles, e para onde foi a grande parte dos somalis, com aproximadamente 450 mil pessoas, fica na cidade de Dadaab. Se fosse uma cidade, esse campo seria a terceira mais populosa do Quênia, após Nairóbi e Mombaça.

O local, criado em 1991, foi construído para abrigar 90 mil pessoas. Em julho, quando a Onu decretou o estado de alerta, ele recebia 1.300 novos refugiados por dia.

No pior momento da crise, os somalis, após passarem dias e até semanas caminhando para alcançar Dadaab, precisavam esperar para serem atendidos pelas agências humanitárias.

Algumas crianças que já estavam no acampamento sofriam de desnutrição moderada a aguda pois não recebiam assistência a tempo.

O problema da fome chegou a tal ponto que até Al Shabab, milícia vinculada à Al Qaeda que controla grande parte da zona afetada, pediu ajuda à ONGs ‘muçulmanas e não muçulmanas’.

Além da Somália, três milhões de habitantes do Quênia, e 4,5 milhões da Etiópia também foram afetados pela fome.

Para amenizar o problema, os principais nomes da comunidade internacional, Banco Mundial, Estados Unidos, ONU e a União Europeia, além de dezenas de ONG’s de todo o mundo, doaram milhões de euros para o Continente, o que não foi suficiente para resolver a situação.

Quase 250 mil pessoas seguem em risco eminente de inanição, alertou em novembro a Unidade de Análise de Nutrição e Segurança Alimentar da Somália (FSNAU), entidade ligada à Onu.

As Nações Unidas classificaram a seca na região como a pior em sessenta anos, a crise da fome como a mais aguda desde 1991-1992 e a segurança alimentar da Somália como a pior do mundo.

‘Dezenas de milhares de pessoas morreram desde abril e é provável que continuem morrendo nos próximos meses’, afirmou a FSNAU em seu relatório de novembro.

Susannah Nicol, do Programa Mundial de Alimentos (PMA) para a Somália, disse à Agência Efe que ‘a maneira como o povo ganhava a vida na Somália foi tão afetada que vai levar muito tempo para o país se recuperar’.

‘Muitas pessoas têm dívidas, mas o preço dos alimentos e do combustível continua sendo alto. Além disso, há pouco trabalho’, acrescentou Susannah.

A FSNAU acredita que a crise de fome no país terminará em 2012, com exceção dos refugiados, que ainda poderiam ser afetados. No entanto, a entidade envia um alerta: ‘qualquer interrupção significativa da assistência humanitária pode ter como resultado a volta do problema’. EFE