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“Dr. Morte” do apartheid é condenado por má conduta profissional

Wouter Basson chefiou programa de armas biológicas da África do Sul

Apelidado de “Doutor Morte”, o médico Wouter Basson, de 63 anos, foi considerado culpado por má conduta profissional pelo Conselho de Profissões da área de Saúde da África do Sul, órgão equivalente local do Conselho Federal de Medicina. Segundo a rede estatal SABC, o órgão tomou tal decisão baseado na conduta de Basson à época em que ele chefiava o programa de armas biológicas e químicas do exército sul-africano durante a era do apartheid, nos anos 80. Segundo o processo, ele forneceu pílulas de cianeto para soldados, produziu drogas para serem usadas com o objetivo de desorientar prisioneiros e armou morteiros com gás lacrimogênio.

No início dos anos 2000, ele foi absolvido pela Justiça de mais de 40 acusações, incluindo assassinato, fraude e tráfico de drogas. Durante o julgamento em Pretória, que durou mais de dois anos, testemunhas relataram tentativas de Basson de criar bactérias mortais e drogas antifertilidade que atingissem apenas os negros. O juiz considerou, no entanto, que não foram apresentadas provas conclusivas.

Após deixar o programa de armas químicas e biológicas, ele passou a atuar como cardiologista na Cidade do Cabo. Com o fim dos processos na Justiça, só restaram as investigações conduzidas pelo conselho profissional. “As violações da ética médica caracterizam conduta não profissional”, disse o presidente da entidade, Jannie Hugo.

A defesa de Basson argumentou que sua conduta não poderia ser avaliada do ponto de vista médico, já que não havia esse tipo de relação quando ele fazia parte do programa e os soldados que receberam as pílulas não eram seus pacientes. A sentença contra o cardiologista deverá ser anunciada em fevereiro.

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