Doze morrem em Kiev por enorme ataque russo contra ferrovias, que abre nova fase da guerra
Foco dos bombardeios agora é a infraestrutura de transporte vital para a população e economia ucraniana; Zelensky pede mais defesa aérea
Pelo menos 12 pessoas morreram nesta terça-feira, 1º de setembro, em um ataque em larga escala com mísseis e drones russos contra Kiev, cujo principal alvo foram ferrovias ao redor da capital da Ucrânia. A ofensiva abre uma nova fase do conflito que visa a infraestrutura de transporte que vem sendo uma tábua de salvação para a população ucraniana em tempos de guerra.
“No total, 12 pessoas morreram, incluindo um cidadão indiano, e dezenas ficaram feridas no ataque”, afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltando a pedir que aliados forneçam mais recursos de defesa aérea para proteger o país de mísseis e drones.
Presidente da Ukrzaliznytsia, diretor do sistema de ferrovias da Ucrânia, Oleksandr Pertsovsky contou que o ataque foi “uma noite insuportavelmente difícil para toda a família ferroviária”.
“A equipe ferroviária está trabalhando no local desde o início desta manhã. O ataque causou danos significativos. Os socorristas ainda estão apagando vários incêndios”, relatou.
Segundo Pertsovsky, oito pessoas morreram na capital, sete delas em um depósito ferroviário e em outras estruturas próximas que foram atingidas. As outras quatro perderam a vida em Borispil, a 30 km da capital, após um edifício residencial de cinco andares ser atingido, segundo Zelensky. Treze pessoas ficaram feridas na localidade.
De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, porém, os alvos foram “empresas do complexo militar-industrial, assim como infraestruturas energéticas relacionadas ao fornecimento de combustível às Forças Armadas da Ucrânia”.
A nova bateria de bombardeios russos veio no momento em que as crianças ucranianas se preparavam para retornar às aulas após as férias de verão do hemisfério norte, e em um contexto em que a Ucrânia sofre com a escassez de mísseis interceptadores, em particular dos americanos Patriot, desde o início da guerra no Oriente Médio.
Mudança de tática
A rede ferroviária da Ucrânia é a terceira maior da Europa, com 24 mil quilômetros de trilhos. Tem sido importantíssima para os civis do país em meio à guerra, transportando quatro milhões de pessoas e cerca de 120 mil animais de estimação para zonas mais seguras ao longo dos anos. Também trouxe líderes mundiais para Kiev, incluindo o então presidente americano, Joe Biden, e o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que viajou à capital ucraniana na semana passada em trem noturno da Polônia.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Serhih Leshchenko, membro do conselho de supervisão da Ukrzaliznytsia, descreveu a ferrovia como a “espinha dorsal da economia da Ucrânia”. A rede funciona como principal fornecedor logístico para o Exército e a indústria do país, e toda semana transporta 600 mil pessoas. Com 170 mil trabalhadores, também foi a maior empresa da nação no Leste Europeu.
Por essas razões, segundo ele, a Rússia agora tenta deliberadamente destruir as ferrovias. No primeiro ano da guerra, Moscou atacou pontes, que puderam ser facilmente substituídas. Em seguida, passou a mirar subestações de eletricidade. A Ucrânia, embora ainda sofra com apagões e cortes no fornecimento, aplacou o pior transicionando para o uso de motores a diesel. Este ano, as forças russas iniciaram “ataques diretos a locomotivas civis”, disse Leshchenko — uma tática insidiosa, em um momento em que a Ucrânia está com falta de defesas aérea.
(Com informações da AFP)







