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Donald Trump: presidente ou CEO?

Mesmo que não haja indícios explícitos de corrupção em sua administração, é impossível que seu lugar na Casa Branca não afete seus negócios

A eleição sem precedentes de um empresário bilionário sem nenhuma experiência política para presidente dos Estados Unidos inaugurou uma nova era no país: um CEO na Casa Branca. Políticos e a sociedade preocupam-se com a possibilidade — real, diga-se — do surgimento de inúmeros conflitos de interesse motivados pelos empreendimentos de Donald Trump em mais de 20 países pelo mundo. Especialistas em direito constitucional americano ouvidos por VEJA acreditam que os negócios do magnata podem ser um dos maiores obstáculos de seus próximos quatro anos de mandato.

“Não há como Donald Trump evitar graves problemas constitucionais durante seu mandato se não separar completamente seus interesses comerciais de seu papel como presidente”, afirma o professor de direito constitucional da Universidade Harvard, Laurence Tribe. No entanto, essa tarefa pode ser mais difícil do que aparenta.

O magnata decidiu não transferir seus negócios para administradores independentes e de identidade desconhecidas, como lhe foi recomendado. Ao invés disso, pediu que seus filhos e genro assumissem a administração seus empreendimentos, justamente para evitar acusações de corrupção e de tráfico de influência. Mas, a presença de seus familiares em eventos oficiais já acendeu as primeiras chamas do conflito que Trump enfrentará daqui para frente.

Ivanka Trump e seu marido, Jared Kushner, foram fotografados no primeiro encontro oficial de Donald Trump como presidente eleito dos Estados Unidos. Os quatro se reuniram com o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe em novembro em uma conferência privada, despertando acusações de que Trump está usando sua posição de liderança para favorecer seus negócios, mesmo que através de seus filhos.

Para além disso, Donald Trump deve enfrentar críticas simplesmente por ter seu nome gravado em centenas de empreendimentos. O bilionário comanda atualmente pelo menos 515 empresas no mundo, segundo o relatório divulgado pela Comissão Federal Eleitoral americana. Sua companhia tem negócios em 20 países, além de uma extensa rede de hotéis e imóveis nos Estados Unidos. Mesmo que não haja indícios explícitos de corrupção em sua administração, é impossível que seu lugar na Casa Branca não afete seus negócios.

Os responsáveis pela construção das duas “Trump Towers” de 23 andares em Pune, na Índia, já constataram os benefícios de ter o nome do próximo presidente americano estampado em seu novo empreendimento. A possibilidade de vender apartamentos por mais de 2 milhões de dólares na calma cidade industrial motivou uma viagem a Nova York para uma reunião com Trump e sua família no fim de novembro. “Veremos um salto tremendo na avaliação da segunda torre”, afirmou Pranav R. Bhakta, consultor de Trump no mercado indiano ao New York Times.

Mapa das empresas e interesses de Trump no mundo

Sua rede hoteleira também deve vivenciar um boom nos próximos anos. Segundo o jornal The Washington Post, diplomatas do mundo todo já consideram a estadia nos hotéis Trump nos Estados Unidos “um gesto fácil e amigável para o novo presidente”. O Post cita, inclusive, um diplomata asiático: “É rude vir à cidade dele e dizer: ‘vou ficar em seu concorrente’”.

Segundo Laurence Tribe, o fato de Trump ter interesses comerciais internacionais não necessariamente viola os estatutos e leis americanas. Mas receber qualquer tipo de pagamento — seja na forma de presentes ou diárias de aluguel de quartos em seus hotéis — de governos, funcionários estrangeiros ou qualquer instituição operada em nome de um governo estrangeiro, constitui uma violação dos preceitos estabelecidos na Constituição dos EUA.

Suspeitas — A falta de transparência do bilionário em relação aos seus investimentos e sua fortuna despertou ainda mais suspeitas. Trump foi o primeiro presidente eleito dos Estados Unidos a não divulgar suas declarações de imposto de renda durante a campanha, tornando impossível saber exatamente qual a extensão de suas empresas e parcerias globais.

O magnata sempre negou que seus negócios seriam um problema durante seu mandato. Mas, nesta terça-feira, Trump anunciou a realização em dezembro de uma coletiva de imprensa ao lado de seus filhos para tratar do futuro de suas empresas. Muitos esperam que esse seja um sinal de que o próximo presidente americano tenha decidido deixar de vez seu papel de CEO para trás, em prol de uma liderança mais tranquila.

Comentários

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  1. Sarah Oliveira

    A gravidade da posição dele enquanto magnata está bem clara no texto, mas não atingiu a outra faceta. A questão não está tão somente no conflito dele ser CEO de suas empresas e presidente dos EUA, mas também em transformar o próprio EUA em mais uma empresa sua. Ou seja, ele não tem perfil de presidente, não tem qualquer senso de solidariedade ou de dever/direito público, ele vai administrar o próprio EUA como a sua mais nova EMPRESA, a sua mais nova aquisição para gerar dinheiro, poder, fama, perseguir negros, homossexuais, reerguer KKK e pegar mais mulheres pela vagina na Casa Branca. Vivemos na verdade uma negaça, afinal, como pode uma Democracia – dita a maior do Ocidente, eleger um presidente sem que o mesmo declare seus bens e como os adquiriu, quem são seus sócios. [quer dizer, daí já podemos identificar os Poderes da maior democracia do Ocidente que atua não com diplomacia, mas como verdadeira dominação contra países que lhes sejam do interesse. EUA = EMPRESA TRUMP. Quem sabe seja daí que existem previsões de Obama ser o último presidente dos EUA?! EUA, o fim de um projeto de democracia.

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  2. Fábio Luís Inaimo

    Tem alguma chance de prestar isso !?

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  3. A SACADA DE TRUMP

    Obama pegou um país em forte recessão e vai entregar um EUA com taxa de crescimento de 3.2%, redução da taxa de desemprego de 10% para 4.6% (o sonho de todo presidente). Merecidamente, Obama sai com uma taxa de 54% de aprovação.

    Um recado para o Brasil pós Dilma. Essa façanha demorou 8 anos e nos primeiros meses do Obama, os EUA ainda perdeu quase um milhão de empregos.

    O lado negativo é a monstruosa dívida pública dos EUA, na casa dos 20 trilhões de dólares, suficiente para comprar todos os imóveis do país, e valor igual a toda a riqueza produzida no ano (PIB).

    Nessa semana, Trump deixou muitos de cabelo em pé quando reafirmou todos os compromissos de campanha, o que o mercado entende como aumento da dívida, mais inflação e juros.

    Trump declarou na ocasião que apenas com a guerra no oriente médio, os EUA gastou mais de seis trilhões de dólares, sem nenhum retorno para os americanos. Trump prometeu que os EUA vai deixar de ser a polícia do mundo e focar nos seus problemas internos. Também prometeu enxugar a gigantesca administração com corte de funcionários.

    Para financiar o ambicioso projeto de um trilhão em infraestrutura basta reduzir as despesas em 0.05% do PIB. Gordura para cortar tem de sobra, desde que enfrente interesses políticos de certos grupos. Ademais, vai reduzir os impostos de 35% para 10% para os americanos que repatriarem alguns trilhões de dólares no exterior. Enfim, Trump pode financiar sua agenda sem aumentar os gastos, se cortar o tamanho do Governo.

    Cerca de 35% dos americanos recebem algum tipo de bolsa família e existe apenas três trabalhando para cada aposentado! Trump faria uma revolução se investisse na requalificação e reintegração dessa multidão no mercado produtivo.

    Alguma semelhança dos EUA com o Brasil é mera coincidência. Se Temer fizer uma reforma ousada da previdência e reduzir o tamanho do Estado vai sobrar muito dinheiro para investimento.

    Temer deveria visitar Trump urgentemente e começar a traçar um tratado comercial ousado com os EUA. Os dois países não possui nenhum conflito político, militar ou econômico, a não ser a incompetência e falta de interesse dos burocratas dos dois lados.

    Gil Lúcio Almeida, PhD

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  4. O Lula não era empresário, não era magnata, nem ao menos trabalhava, e nada disso impediu seus conflitos de interesse e sua roubalheira. Quanto ao Trump nunca ter sido político, qual o problema nisso? Isso é uma qualidade e não um defeito. Um país é uma empresa, tem que dar lucro e não prejuízo a ser pago pelo povo. Se ele administrar bem os Estados Unidos, o povo só tem a ganhar. Além disso, o Estado tem que reduzir seu poder sobre a sociedade e povo tem que deixar de depender dele para tudo. Essa história de condenar o Trump por ele ser um empresário bilionário é coisa de socialista que não sabe o que é economia, não sabe o que é administração, e sô se interessa em assistencialismo populista para manter o povo na miséria dependendo do Estado.

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  5. Ex-microempresário

    Já a declaração de bens de nosso ex-presidente é bem clara: “O sítio não é meu, o triplex não é meu, os jatinhos que eu uso não são meus…”

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  6. Hélio Oliveira

    É a derrocada do império americano.

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  7. Paulo Cezare Silva

    Caro TRUMP, ao fechar suas fronteiras e introspectar empresas e negócios, enfrentará O MAIOR BOICOTE ÀS BUGIGANGAS DAÍ VINDAS, ASSIM COMO, de seus amigos Ingleses. Eu mesmo dispararei de toda sorte a campanha.

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  8. Antonio Augusto Simoes

    Mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi. A comunistada da imprensa terá que engolir o Trump até o último fio de cabelo. Toma cambada de comunistas.

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