Donald Trump diz que EUA estão “cheios” e retoma pressão sobre México

Presidente mantém ameaça de cobrar tarifa de 25% sobre cada veículo mexicano que ingresse no país e quer acabar com lei de refúgio

Por Da redação - Atualizado em 5 abr 2019, 21h53 - Publicado em 5 abr 2019, 21h41

Em sua campanha contra o ingresso de imigrantes e em favor da construção do muro na fronteira com o México, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira, 5, em Calexico, no estado da Califórnia, que seu país está “cheio” e não aceitará mais solicitantes de refúgio.

Em visita justamente à divisa com o México, Trump criticou o “aumento colossal” no número de imigrantes ilegais que chegam à região.

“O sistema (migratório) está cheio, não podemos aceitá-los, seja por refúgio, seja por quererem (entrar nos Estados Unidos). Não podemos aceitá-los, peço desculpas, mas deem meia-volta”, afirmou.”Quando está cheio, está cheio. Não podemos aceitá-los. Que voltem para o México, e o México os devolverá a seus países”, insistiu.

Trump fez referência a um programa que o governo americano começou a implementar neste ano, batizado como “Protocolo de Proteção de Migrantes”. O projeto prevê que os imigrantes centro-americanos esperem no México a análise de seus pedidos de refúgios. No entanto, deu a entender nesta sexta-feira que espera ver o México deportar os imigrantes que aguardam a conclusão do procedimento americano.

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A ideia contradiz as leis internacionais sobre o refúgio, que preveem a solicitação do status quando os imigrantes ingressarem no país e impedem a devolução deles a seus países de origem.

As declarações de Trump na fronteira com o México foram dadas poucas horas depois de o presidente ter pedido ao Congresso para eliminar totalmente o sistema de refúgio nos Estados Unidos.

“O Congresso tem que atuar (…). É preciso se desfazer de todo o sistema de asilo porque ele não funciona. E, francamente, também deveríamos nos desfazer dos juízes. Não podemos ter um caso judicial cada vez que alguém põe os pés em nosso território”, disse Trump, de manhã, na jornalistas na Casa Branca.

Segundo a atual legislação americana, os imigrantes ilegais que entram no país e reivindicam o refúgio têm direito a uma audiência em um tribunal de imigração, desde que sejam aprovados em uma primeira entrevista. Nesse momento, um funcionário americano avalia se o candidato tem um “medo crível” de perseguição em seu país de origem.

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Enquanto Trump falava na cidade americana de Calexico, do outro lado da fronteira, em Mexicali, cerca de 200 pessoas protestaram com cartazes com as frases “se você construir o muro, minha geração vai derrubá-lo” e “pare de separar as famílias”.

Trump provocou revolta em setores políticos e empresariais no último dia 30 ao ameaçar com o fechamento total da fronteira dos Estados Unidos com o México, se as autoridades mexicanas não parassem as caravanas de migrantes. Na quinta-feira, 4, ele recuou e deu ao país vizinho um ano para conter o tráfico de drogas na fronteira antes de impor tarifa de 25% sobre os veículos mexicanos que ingressarem nos Estados Unidos.

Cerca de 80% das exportações de automóveis fabricados no México, um importante pilar de sua produção industrial, destina-se a Estados Unidos e Canadá. “Se isso não funcionar, vou fechar a fronteira”, ameaçou Trump, observando ainda que está avaliando o estabelecimento de sanções econômicas de cerca de 500 bilhões de dólares sobre o México pelas drogas que entram nos Estados Unidos.

O americano, porém, não esclareceu se a contenção de imigrantes sem documentos também está incluída neste prazo. A sua cruzada contra a “crise” na fronteira, que inclui a construção do muro, é o eixo central da campanha de reeleição em 2020.

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Catástrofe econômica

Nesta sexta-feira, 20 procuradores-gerais de vários estados americanos  apresentaram uma moção a um tribunal em Oakland, na Califórnia, para bloquear a transferência de 1,6 bilhão de dólares de fundos federais para erguer o muro que Trump quer construir na fronteira.

Trump decretou estado de emergência nacional, como meio de levantar o muro na fronteira e conter o fluxo imigratório. Mas suas ameaças de fechamento da fronteira levantam preocupações até mesmo em seu próprio partido, o Republicano, que alertou para as consequências econômicas da medida

“Fechar a fronteira teria um impacto potencialmente catastrófico para o nosso país, e esperamos que não faça nada parecido”, disse o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell.

A fronteira entre os Estados Unidos e o México é uma das mais movimentadas do mundo, com circulação diária de 500.000 pessoas e de 1,7 bilhão de dólares em produtos agrícolas, industriais e outros bens de consumo.

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Economistas, legisladores e empresários disseram esta semana que o fechamento seria um terremoto econômico, que poderia resultar em milhares de demissões e deixar as prateleiras dos supermercados americanos vazias.

Desde a adoção do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), em 1994, renegociado no ano passado a pedido de Trump, as economias dos três países estão profundamente interligadas. O México é o maior provedor de produtos agrícolas dos Estados Unidos, com cerca de 2,7 milhões de toneladas métricas de envios para o norte.

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