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Dois lados do conflito sírio usam crianças na linha de frente

Militares e rebeldes não hesitam em transformá-las em soldados e até escudos

Por Da Redação 13 mar 2013, 12h04

As forças do governo e os rebeldes que lutam pela derrubada do ditador Bashar Assad envolvem cada vez mais crianças na linha de frente da guerra civil síria. As crianças tornam-se soldados ou são utilizadas como escudos humanos, afirmou nesta quarta-feira uma organização de defesa dos direitos humanos.

Entenda o caso

  1. • Durante a onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o governo do ditador Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes enfrentam forte repressão pelas forças de segurança. O conflito já deixou dezenas de milhares de mortos no país, de acordo com levantamentos feitos pela ONU.
  3. • Em junho de 2012, o chefe das forças de paz das Nações Unidas, Herve Ladsous, afirmou pela primeira vez que o conflito na Síria já configurava uma guerra civil.
  4. • Dois meses depois, Kofi Annan, mediador internacional para a Síria, renunciou à missão por não ter obtido sucesso no cargo. Ele foi sucedido por Lakhdar Brahimi, que também não tem conseguido avanços.

“Dois milhões de crianças presas na Síria são vítimas inocentes de um conflito sangrento”, denuncia a Save The Children em um relatório publicado no momento em que o conflito completa dois anos. “Essas crianças correm perigo constante de desnutrição, doenças, trauma”, acrescenta a ONG, que tem base na Grã-Bretanha.

Os grupos armados e as forças governamentais recrutam as crianças como mensageiros, guardas, informantes ou combatentes, segundo a ONG. “Para muitas crianças e suas famílias, isso é motivo de orgulho. Mas algumas são recrutadas à força em operações militares e outras, de apenas 8 anos, foram utilizadas como escudos humanos”.

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Morte – Um funcionário da União Europeia foi morto na terça-feira em um bombardeio num subúrbio de Damasco, informou nesta quarta-feira a chefe da diplomacia do bloco, Catherine Ashton. Ahmad Shihadeh foi morto quando prestava assistência humanitária em Deraya, onde vivia.

“Peço novamente a todas as partes que tomem medidas urgentes para acabar com a violência, que levou à morte de cerca de 100.000 inocentes e faz com que mais de 1 milhão de refugiados busquem abrigo em países vizinhos”, disse. A UE fechou em dezembro sua representação em Damasco, por causa da guerra civil, mas funcionários locais permaneceram no país.

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Confrontos – Intensos combates ocorreram nesta quarta-feira entre Damasco e as Colinas de Golã, território ocupado por Israel, no que pode ser uma nova frente de batalha no conflito. Rebeldes atacaram um quartel da Guarda Republicana e da Quarta Divisão Mecanizada do Exército, comandada por Maher Assad, irmão do presidente, na localidade de Khan Sheih, a 6 quilômetros dos limites da capital, segundo ativistas civis e uma fonte da oposição.

Os combates se intensificam três dias depois de rebeldes sunitas atacarem um esquadrão de mísseis na região, matando 30 soldados, a maioria alauítas, minoria da qual Assad faz parte. Na região há também um campo de refugiados palestinos.

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As operações em Khan Sheih têm por objetivo também aliviar a tensão sobre o subúrbio de Daraya, na zona sudoeste de Damasco, onde um bolsão rebelde está há dois meses sitiado pelos militares. Os rebeldes também afirmam ter atacado posições do Exército na cidade de Qunaitra, perto da linha de cessar-fogo com Israel, e mais ao sul, perto do Golã, onde os contingentes do governo estavam bem instalados.

(Com agências France-Presse e Reuters)

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