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Dois jornalistas de canal árabe capturados por forças sírias

Mais cedo, o ministério das Relações Exteriores do Japão confirmou a morte de repórter japonesa de 45 anos, que cobria os combates na cidade síria de Alepo

Por Da Redação - 21 ago 2012, 12h23

Dois jornalistas do canal de televisão em língua árabe Al Hurra, com sede em Washington, foram capturados pelas forças favoráveis ao regime sírio em Alepo, informou um chefe rebelde. No momento da captura, os dois estavam em Sleiman al Halabi, um bairro próximo ao centro da cidade, onde uma jornalista japonesa que cobria os combates morreu na segunda-feira.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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“Os shabbihas (milícias favoráveis ao regime) capturaram um jornalista e o cinegrafista da Al Hurra”, indicou o coronel rebelde Abdel Jabbar al Oqaidi, chefe do conselho militar do Exército Sírio Livre (ASL) da província de Alepo. “O jornalista árabe estava ferido no momento em que foi capturado, já o cinegrafista turco estava ileso”, acrescentou.

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Mais cedo, o ministério das Relações Exteriores do Japão confirmou a morte da jornalista japonesa Mika Yamamoto, de 45 anos, quando cobria os combates para a agência de notícias Japan Press na segunda-feira. Kazutaka Sato, outro jornalista da Japan Press, identificou o corpo de Yamamoto, dizendo ao canal japonês NTV que os dois se viram diante de um grupo de soldados com uniforme de combate quando a colega recebeu um tiro no pescoço.

Com Mika Yamamoto, chega a quatro o número de jornalistas estrangeiros mortos na Síria desde o início da revolta contra o regime, em março de 2011: o francês Gilles Jacquier, do canal France 2, em 11 de janeiro em Homs (centro), a americana Marie Colvin, do jornal britânico The Sunday Times, e o fotógrafo francês Rémi Ochlik, mortos em 22 de fevereiro, também em Homs, no bombardeio de um centro de imprensa improvisado.

Quinze pessoas, entre elas mulheres e crianças, morreram nesta terça-feira na Síria, onde o Exército bombardeava a cidade de Alepo, norte do país, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Na véspera, os confrontos e bombardeios mataram 167 pessoas, entre elas 88 civis, segundo o OSDH. Segundo a fonte, desde o início do conflito, em março de 2011, já morreram mais de 23.000 pessoas, um balanço impossível de verificar junto a fontes independentes.

MSF – A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), que há dois meses enviou uma equipe para a Síria, disse nesta terça-feira que garantir o acesso das organizações humanitários no país é indispensável e denunciou que a comunidade internacional “não está fazendo o suficiente” pela população do país. O diretor-geral da organização, Filipe Ribeiro, disse que é necessária uma assistência humanitária que não tenha relações com ações políticas e diplomáticas.

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“O plano de paz da ONU não funcionou bem, mas não se deve confundir ação humanitária com política. Esperamos que a comunidade internacional nos deixe entrar no país e tratar dos pacientes”, disse o representante da associação. É a primeira vez que a Médicos Sem Fronteiras trabalha no interior da Síria, após várias tentativas fracassadas e “condições de acesso extremamente complexas”.

Apesar de não se sentirem acuados nem pelo Exército nem pelos rebeldes, a associação prefere não divulgar sua localização para garantir a continuidade da missão. Segundo Ribeiro, as autoridades sírias já comunicaram que a MSF não é bem-vinda e que se encontra em situação ilegal. Porém, embora tenham dito que conhecem a localização da associação, que ficaria em uma zona controlada por rebeldes, não deram sinais de que atacariam a missão.

Desde meados de junho, a associação já atendeu mais de 300 pacientes e realizou cerca de 50 cirurgias na Síria, a maioria delas em pessoas com ferimentos de bala. “Nossas portas estão abertas para todo o mundo”, indicou a cirurgiã Anna Nowak, que insistiu que não interessa saber se o paciente é um combatente ou uma vítima civil, mas “se respira ou não, ou se tem alguma fratura”.

A MSF evita se pronunciar em termos políticos, mas destaca ter se surpreendido com a solidariedade da população síria – ‘quando eles viam que precisávamos de sangue, por exemplo, apareciam umas 50 pessoas dispostas a doar’- e de como tentam manter uma vida normal dentro do contexto de instabilidade. “Gostaria que chegassem a uma solução política, mas tenho a sensação, por enquanto, que responder aos bombardeios é a única forma de manter a luta”, concluiu Moller.

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(Com agência France-Presse)

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