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Dois atentados suicidas deixam ao menos 30 mortos na capital da Síria

Dois atentados suicidas contra os serviços de segurança deixaram nesta sexta-feira ao menos 30 mortos em Damasco, coincidindo com a chegada de uma missão da Liga Árabe para buscar uma saída para a crise após nove meses de protestos contra o regime de Bashar al-Assad.

“Há mais de 30 mortos e mais de 100 feridos nos dois atentados de hoje”, disse à imprensa o vice-ministro sírio das Relações Exteriores, Faysal Meqdad, no local de um dos ataques.

“No primeiro dia de chegada dos observadores árabes, este é o primeiro presente do terrorismo e da Al-Qaeda, mas vamos facilitar ao máximo a missão da Liga Árabe”, acrescentou o funcionário.

Testemunhas disseram que as bombas explodiram no bairro de Kfar Suseh. Um automóvel tentou forçar sua entrada no complexo de Segurança do Estado e outro explodiu em frente a um edifício dos serviços de segurança na mesma região.

De acordo com Meqdad, “o terrorismo quis que o primeiro dia dos observadores em Damasco fosse trágico, mas o povo sírio enfrentará a máquina de matar apoiada por europeus, americanos e certos árabes”.

A delegação árabe se propõe a buscar uma solução para a crise que ameaça o regime de Bashar al-Assad, após nove meses protestos violentamente reprimidos com um saldo de milhares de mortos.

A televisão pública havia informado anteriormente que “vários soldados e um número elevado de civis morreram nos dois ataques cometidos por suicidas com carros repletos de explosivos contra bases da Segurança do Estado e outros escritórios dos serviços de segurança”.

“As primeiras investigações apontam para a responsabilidade da Al-Qaeda”, prosseguiu o relatório.

Estes atentados são os primeiros de magnitude semelhante desde a década de 1980, quando o então presidente Hazed el-Assad, pai do atual presidente, enfrentou um levante armado da Irmandade Muçulmana, grupo proibido desde então.

A entidade humanitária Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH, ligada à oposição) informou que “duas explosões sacudiram a capital síria, seguidas pelo ruído de forte tiroteio nas proximidades da sede geral da inteligência”.

Os ataques deixaram em segundo plano os chamados formulados por ativistas pró-democracia para um protesto contra a missão de observadores, por temerem que a visita desencadeie uma reação ainda mais dura por parte do governo contra os manifestantes.

O ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Muallem, expressou sua confiança de que os observadores apoiarão a postura do Governo, que atribui os protestos à ação de “terroristas”.

Líderes opositores afirmaram que a decisão do governo sírio de aceitar a missão da Liga Árabe após várias semanas de indecisão eram uma mera “manobra” para evitar que a Liga apele ao Conselho de Segurança da ONU.

“Pedimos à Liga Árabe que leve este caso ao Conselho de Segurança da ONU”, disse Omar Edelbi, porta-voz dos Comitês de Coordenação Local, responsável pelas manifestações.

O primeiro grupo da missão observadora é composto por cerca de uma dezenas de agentes de segurança e funcionários dos setores legal e administrativo da secretaria da Liga Árabe.

O líder da missão é o veterano chefe de inteligência militar sudanês Muamad Amed Mustafá al Dabi, que já adiantou que nos próximos dias o número de observadores pode chegar a 150 ou 200.

Sua tarefa será verificar o “fim da violência de todas as partes e assegurar a libertação dos detidos relacionados à atual crise”, de acordo com o texto do protocolo assinado.