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Dois americanos acusados de espionagem são libertados no Irã

Por Da Redação 21 set 2011, 17h42

Dois americanos detidos há dois anos no Irã acusados de espionagem foram libertados após pagamento de fiança e chegaram nesta quarta-feira em Mascate, capital de Omã, país que intermediou a libertação.

Shane Bauer e Josh Fattal, de 29 anos, foram libertados da prisão de Evin, no norte de Teerã, onde foram mantidos por mais de dois anos.

Ambos foram detidos em julho de 2009 nas imediações da fronteira com o Iraque. Eles alegaram que haviam atravessado a fronteira sem querer quando caminhavam nas montanhas do Curdistão iraquiano.

No momento da prisão os homens estavam acompanhados por uma outra americana, Sarah Shourd, de 32 anos, que foi libertada pelo Tribunal Revolucionário de Teerã em setembro de 2010 por razões médicas.

Shane Bauer e Josh Fattal foram condenados em primeira instância a 8 anos de prisão por espionagem e entrada ilegal no Irã.

Os dois apelaram da condenação e a liberdade provisória foi determinada pelo pagamento de uma fiança de 5 milhões de riais (cerca de 400.000 dólares) para cada um. Eles “serão libertados até o veredicto final” da apelação, explicou o poder Judiciário iraniano.

A fiança foi paga por Omã, segundo o advogado dos americanos, Masud Safii.

A mesma situação ocorreu com Sarah Shourd, que teve sua fiança paga por este país e deixou Teerã a bordo de um avião enviado pelo sultão Qabus.

“É o dia mais feliz de nossas vidas. Esperamos este momento por quase 26 meses, e a alegria e alívio que sentimos (…) não têm limites”, declararam as famílias de Bauer e Fattal em comunicado, no qual agradeceram ao sultão de Omã e ao embaixador da Suíça no Irã por terem contribuído para a libertação.

O pai de Shane Bauer, sua mãe e suas duas irmãs viajaram a Omã para recebê-lo, e o pai, a mãe e o irmão de Josh Fattal fizeram o mesmo.

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A libertação ocorre após uma semana de adiamentos por parte da justiça iraniana, irritada com o anúncio feito pelo presidente Mahmud Ahmadinejad no dia 13 de setembro.

Ahmadinejad afirmou que Teerã faria este “gesto Humanitário nos próximos dias”. O Judiciário desmentiu imediatamente qualquer decisão de libertar os dois e criticou o presidente.

O advogado Safii confirmou que recebeu a informação da decisão de libertar seus clientes, porém o depósito da fiança foi postergado por dias enquanto a assinatura de um juiz “oficialmente de licença” era aguardada.

Apesar do atraso, Ahmadinejad, que está em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, reafirmou na terça-feira no canal de televisão ABC que os dois americanos seriam libertados “em breve”.

A libertação de Sarah Shourd gerou a mesma disputa entre o governo, que havia anunciado a decisão, e o Judiciário, que retardou a ação por vários dias alegando questões burocráticas.

As tensões são crônicas entre o governo de Ahmadinejad e o poder Judiciário, dominado pela corrente religiosa ultra-conservadora liderada pelo aiatolá Ali Khamenei.

A situação se agravou nos últimos meses após uma ofensiva política e judicial dos ultra-conservadores contra políticos ligados ao presidente, sobretudo contra o chefe de gabinete Esfandiar Rahim Machaie, acusado de um “desvio” nacionalista e anti-religioso com o objetivo de minar o regime islâmico.

A libertação dos dois turistas é uma “notícia formidável”, considerou nesta quarta-feira o presidente dos EUA, Barack Obama.

“Estamos muito satisfeitos (…) este é um dia maravilhoso para eles e para nós”, declarou Obama a jornalistas em Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU. “É uma notícia formidável”, acrescentou.

O presidente Obama também saudou, em um comunicado divulgado pela Casa Branca, “os esforços incansáveis de suas famílias durante estes dois anos”.

Obama agradeceu ao sultão Qabus de Omã, ao presidente iraquiano Jalal Talabani e ao governo suíço por sua participação nas negociações que levaram à libertação dos dois americanos, indicou a Casa Branca.

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