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Documentário sobre Snowden divide opiniões em estreia nos EUA

Jornal 'The New York Times' classificou o documentário como "partidário", mas reconheceu que questionamentos levantados pelo filme são "aterrorizantes”

Por Da Redação 27 out 2014, 09h21

O documentário sobre Edward Snowden, Citizenfour, recebeu aplausos e críticas durante sua estreia neste fim de semana nos cinemas dos Estados Unidos, um país dividido entre os que o consideram um herói e os que o tacham de traidor. O filme, dirigido pela jornalista americana Laura Poitras, começa com uma imagem difusa em um túnel de dentro de um veículo em movimento. Poitras, que atualmente vive em Berlim, relata como começaram a detê-la de forma rotineira nos aeroportos dos Estados Unidos quando começou a fazer documentários sobre os abusos do governo e lembra como, em 2013, recebeu uma comunicação eletrônica anônima de um indivíduo com o pseudônimo de ‘citizenfour’.

“Você pergunta por que te escolhi. Não fiz isso. Você fez”, dizia uma das mensagens de Snowden a Poitras, que a diretora – ela não aparece em nenhum momento na tela – lê em voz alta. “A vigilância que sofreu fez com que fosse selecionada. Saiba que cada fronteira que atravessar, cada compra que fizer, cada telefonema, cada torre de telefonia celular pela qual passar, os amigos que tiver, os artigos que escrever, estão nas mãos de um sistema cujo alcance é ilimitado”, afirmava o ex-funcionário terceirizado da inteligência americana.

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Snowden, asilado na Rússia após protagonizar um vazamento em massa de documentos confidenciais da Agência de Segurança Nacional americana (NSA, na sigla em inglês), convidou Poitras e o jornalista britânico Glenn Greenwald, para se reunirem com ele em Hong Kong para revelar as informações que descobriu sobre a espionagem em massa dos Estados Unidos a cidadãos e outros governos. Os telespectadores podem observar como se desenvolveu esse encontro que durou de 3 a 10 de junho de 2013 no quarto 1014 de um hotel de Hong Kong, onde um pálido, às vezes temeroso e profundamente convicto Snowden confia a Poitras, Greenwald e ao também jornalista britânico do Guardian, Ewen MacAskill, sua história.

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Críticas – O documentário inclui momentos tensos, como quando o alarme de incêndios do hotel põe em alerta um visivelmente nervoso Snowden, que aparece mais magro e cansado no final do filme. Citizenfour insiste na coragem e no idealismo de Snowden diante das “forças tenebrosas e malignas que o espreitam”, o que fez com que o jornal The New York Times (NYT) qualificasse o documentário de “parcial e partidário”, mesma linha da crítica de David Edelstein, da New York Magazine. O NYT lembrou que vários jornalistas que cobrem temas de segurança e tecnologia como Fred Kaplan, da revista Slate, e Michael Cohen, ex-jornalista do Guardian, criticaram as omissões e simplificações do filme.

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Esses comentários, disse o jornal, mostram o desejo de chegar a um ponto médio, um equilíbrio entre o direito do público de saber e a necessidade do governo de colher informação de inteligência na luta global contra o terrorismo. Apesar das críticas, o NYT destacou que Citizenfour evoca, como poucos filmes até agora, a presença invisível e onipresente do Estado moderno, uma abstração com enormes recursos coercitivos ao alcance. Para o jornal estamos simplesmente começando a entender o alcance e as repercussões da coleta em massa de dados pelo governo e classificou os questionamentos levantados por Poitras de “aterrorizantes”.

Com sua combinação de timidez, determinação e inteligência despretensiosa, Snowden se tornou não só um personagem “fascinante, mas também familiar”, um americano qualquer. Citizenfour revela que a namorada de Snowden, que vivia com ele no Havaí quando o ex-analista começou a acessar os documentos secretos, vive agora com ele na Rússia. Snowden, de 31 anos, voou do Havaí a Hong Kong em maio de 2013 e obteve asilo na Rússia em agosto do ano passado. Ele é acusado pelos Estados Unidos de violação da Lei de Espionagem e de roubo de propriedade do governo, acusações pelas quais pode ser condenado a até 30 anos de prisão.

(Com agências EFE e Reuters)

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