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Divergências sobre déficit encaminham Holanda para eleições antecipadas

Por Jean-Christophe Verhaegen 21 abr 2012, 17h46

A realização de eleições legislativas antecipadas na Holanda parece evidente, com o fracasso das negociações sobre a redução do déficit público do país, declarou neste sábado o primeiro-ministro liberal, Mark Rutte, após as conversas entre a coalizão governamental de centro-direita e seu aliado no Parlamento, o partido de extrema direita de Geert Wilders.

“Devo informá-los hoje que os três partidos fracassaram em encontrar respostas comuns”, disse o premier, durante uma entrevista coletiva em Haia.

Rutte convocou um Conselho de Ministros excepcional para a manhã de segunda-feira, a fim de discutir o tema e analisar as próximas etapas. “Enviarei propostas ao governo para tomar as medidas necessárias”, disse.

O ministro das Finanças, Jan Kees de Jager, abandonou hoje a reunião do FMI em Washington para retornar à Holanda, mas afirmou que há alternativas para as eleições antecipadas. “Ao que parece, teremos que formar uma maioria na Câmara para a aplicação das medidas.”

As negociações entre a coalizão governamental de centro-direita e seu aliado no parlamento, o ultradireitista Partido pela Liberdade (PVV), de Geert Wilders, fracassaram hoje, quando este último abandonou a mesa de negociações.

Wilders pediu a realização, “o quanto antes”, de eleições antecipadas. “Isso significa eleições em setembro ou outubro”, estimou Diederik Samsom, líder do principal partido de oposição, o trabalhista PvdA.

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O pacote de medidas em estudo previa uma leve alta do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), o congelamento do salário dos funcionários e um corte orçamentário na área de saúde e na ajuda aos países em desenvolvimento, segundo a agência de notícias holandesa ANP, que cita Stef Blok, presidente do grupo parlamentar VVD, o partido liberal de Mark Rutte.

“Acho uma lástima que não tenha funcionado, mas não podemos aplicar uma sangria em nossas pensões por causa dos ditames de Bruxelas”, disse Geert Wilders.

Segundo o Departamento Central de Planejamento, que divulgou ontem estimativas sobre o efeito das políticas propostas pelos negociadores, o poder aquisitivo teria diminuído 2,5% em 2013.

Economistas ouvidos pela ANP estimam que o fracasso das negociações e a possível convocação de eleições antecipadas custarão à Holanda seu triplo A, melhor nota de crédito possível.

As negociações, iniciadas no dia 5 de março e previstas inicialmente para durar três semanas, tinham como objetivo alcançar um acordo para economizar 16 bilhões de euros e reduzir o déficit público da Holanda, de 28 bilhões de euros em 2011, ou 4,7% do PIB, contra 5,1% em 2010. Ele supera o limite de 3% imposto pela União Europeia (UE).

O partido de Wilders, eurocético e contrário ao islã, apoia o governo no parlamento, onde lhe garantia uma maioria de 76 cadeiras sobre as 150 da Câmara Baixa.

O governo minoritário de Rutte, no cargo desde outubro de 2010, formou-se a partir de eleições antecipadas convocadas após a queda, em fevereiro, do governo do premier Jan Peter Balkenende devido a divergências dentro da coalizão envolvendo a prorrogação da missão militar holandesa no Afeganistão.

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