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Diretor da OMS expressa preocupação com situação do Brasil na pandemia

País registrou o dia mais letal da pandemia, com 1.582 óbitos; OMS afirma que medidas sanitárias devem ser mantidas durante vacinação

Por Da Redação Atualizado em 25 mar 2021, 21h39 - Publicado em 26 fev 2021, 16h37

Mike Ryan, diretor-executivo de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), expressou preocupação nesta sexta-feira, 26, com o Brasil no combate ao novo coronavírus.

“A situação do Brasil mostra que [a pandemia] não acabou para ninguém, pois qualquer flexibilização é perigosa, diante de um vírus que ainda tem muita energia”, disse Ryan, em entrevista coletiva. “Se as medidas sanitárias de controle não forem mantidas durante a vacinação, pagaremos um preço alto”, completou o representante da organização.

Na quinta-feira 25, o país registrou o dia mais letal da pandemia no Brasil, com 1.582 óbitos. Ao mesmo tempo, a startup In Loco indica que o índice de isolamento social atingiu o ponto mais baixo desde o dia 13 de março de 2020, antes do primeiro caso de coronavírus brasileiro ser confirmado: apenas 31,8% da população manteve-se em casa, com base nos dados de 60 milhões de aparelhos celulares.

Instituições de saúde estão, novamente, chegando à beira do colapso. O Hospital Albert Einstein, um dos principais centros de tratamento de São Paulo, informou nesta sexta-feira que está com lotação de 104% dos seus leitos destinados a pacientes infectados pelo vírus.

O Brasil tem o terceiro maior número de casos confirmados da Covid-19 no mundo – 10,3 milhões, segundo a OMS. Contudo, o diretor-executivo da agência admitiu não estar claro se a magnitude do contágio tem relação com o surgimento de uma variante do vírus no país.

Ryan fez um apelo pela precaução e prevenção contra a propagação do vírus, com medidas de controle, distanciamento físico e máscaras – que, segundo ele, já tiveram a eficácia comprovada contra todas as cepas. 

“Aumentar a capacidade do sistema de saúde é algo positivo, mas não é suficiente”, afirmou o diretor-executivo da OMS, enfatizando que a prevenção é ainda mais importante que a quantidade de leitos disponíveis para pacientes com Covid-19.

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A vacinação no Brasil também não segue um ritmo promissor. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, proclamou que havia assegurado mais de 350 milhões de doses de vacinas e que até julho 170 milhões de pessoas terão sido vacinadas. Segundo levantamento da VEJA, a média de pessoas vacinadas com a primeira dose caiu pela metade na última semana.

Nos últimos sete dias (de 19 a 25 de fevereiro), foram vacinadas em média 104.093 pessoas, menos da metade da taxa verificada no período de 5 a 11 de fevereiro, que foi de 219.517 brasileiros imunizados por dia. Boa parte dos estados, porém, segue vacinando porque usa vacinas reservadas à segunda dose.

Nesta sexta-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, propôs a suspensão das patentes de vacinas, tratamentos e outros métodos contra a Covid-19 para acelerar a proteção da população mundial. Tedros apoiou que o tema seja debatido no Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio

A proposta, lançada em outubro do ano passado pela Índia e África do Sul, encontrou oposição entre países que sediam grandes companhias farmacêuticas. Entre eles, estão Estados Unidos, Reino Unido, Suíça, Austrália, Japão, Canadá – e Brasil.

Caso aprovada, a isenção permitiria que versões vacinas e tratamentos, testes de diagnósticos, outros medicamentos contra a Covid-19 possam ser produzidos em larga escala, com preços inferiores.

“Compreendo que os governos tenham a obrigação de proteger aos seus, mas a melhor forma de fazer isso é exterminar o coronavírus ao mesmo tempo, em todas as partes”, disse o diretor-geral da OMS, que não citou nominalmente empresas ou países.

(Com EFE)

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