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Direita francesa renova estratégia para 2º turno das legislativas

Por Da Redação 11 jun 2012, 16h31

Paris, 11 jun (EFE).- A direita e a extrema-direita da França finalizaram sua estratégia nesta segunda-feira para retomar espaço na cena política do país para o segundo turno das eleições legislativas, nas quais alertaram contra o perigo de uma vitória folgada da esquerda.

Dessa imagem se serviu o secretário-geral da conservadora União por um Movimento Popular (UMP), Jean-François Copé, para advertir aos cidadãos que ‘a gravidade da situação atual’ não torna recomendável a hegemonia do Partido Socialista na Assembleia Nacional (órgão equivalente à Câmara dos Deputados).

‘Nos dirigimos aos franceses para lhes dizer: Atenção, não ponhamos todos os ovos no mesmo cesto’, declarou Copé em entrevista coletiva após uma reunião da cúpula de seu partido, usando uma metáfora para pedir aos eleitores que não votem em massa no mesmo partido.

Copé, que disse que sua legenda tem a vocação de agir com ânimo ‘construtivo’, afirmou ter compreendido a mensagem do 13,7% da população que votou na ultradireitista Frente Nacional (FN), mas advertiu que respaldar-lhe no segundo turno significaria beneficiar, na verdade, a esquerda.

Após a realização do primeiro turno neste fim de semana, será o PS que chegará em posição de força no segundo turno, pois os partidos de esquerda obtiveram 46,77% dos votos, contra 34,07% da direita.

‘Em caso de duelo entre a FN e um candidato de esquerda, nossa postura é perfeitamente clara. Não é questão de votar para a FN, mas também não a um candidato socialista que preferiu se aliar com a extrema-esquerda’, esclareceu o representante da UMP, assumindo uma postura conhecida como ‘nem-nem’.

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A líder da FN, Marine Le Pen, que discursou na sede de seu partido, nos arredores de Paris, se congratulou por ter a possibilidade de entrar na Assembleia Nacional, mas pediu a seus seguidores que reúnam esforços para tornar possível esse ‘avanço democrático’.

Não emitiu nenhum sinal explícito sobre o voto e disse que seus partidários são ‘cidadãos de pleno direito, livres, responsáveis e, portanto, perfeitamente aptos para decidir suas escolhas’, mas alfinetou vários candidatos do PS e da UMP – partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy.

Naquelas circunscrições onde a FN não está representada, Le Pen convidou seus eleitores a ‘não conceder sua confiança aos que têm um candidato contrário à moral pública ou antidemocrático’, e a pediu rejeição especificamente aos socialistas François Pupponi e Jack Lang.

E nessa luta por ‘moralizar a vida pública’ e acabar com aqueles que, em sua opinião, agiram com ‘desprezo, ódio’ ou uma atitude antidemocrática em relação aos que apoiam a FD, a líder ultradireitista reivindicou também a queda dos conservadores Nathalie Kosciusko-Morizet, Xavier Bertrand, Georges Tron e Manuel Aeschlimann.

Ela buscou manifestar total otimismo em relação ao próprio partido. ‘Nas circunscrições onde estamos presentes, nos manteremos no segundo turno. Temos a capacidade de conseguir eleitos. É uma certeza e estou convencida de que os eleitores vão se mobilizar ante essas perspectivas de vitória’.

O PS, por outro lado, protagonizou um dos assuntos mais debatidos do dia pelas dificuldades que a ex-candidata presidencial Ségolène Royal está tendo para conseguir uma vaga na Assembleia Nacional, diante da força do dissidente socialista Olivier Falorni em sua circunscrição.

Essa e outras dúvidas serão resolvidas dentro de seis dias. Enquanto isso, as autoridades torcem para que a população não perca o interesse no pleito, diante do baixo nível de participação no primeiro turno, que teve abstenção de 42,77%, acima dos 39,6% registrados nas eleições de 2007. EFE

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