Diplomatas canadenses processam o país por doença misteriosa em Cuba

Grupo pede indenização de US$ 21 milhões; sintomas também foram sentidos por funcionários da representação americana em Havana

Por Da Redação - 7 fev 2019, 17h02

Um grupo de diplomatas do Canadá está processando o governo de seu país pela demora no envio de ajuda quando foram vítimas de uma doença misteriosa em Havana. No total, 14 pessoas foram afetadas, incluindo familiares dos diplomatas que trabalhavam na embaixada canadense em Cuba, sofreram os mesmos sintomas.

Os autores do processo pedem uma indenização de 28 milhões de dólares canadenses, o equivalente a 21,1 milhões de dólares americanos, pela negligência do governo de Justin Trudeau.

Em um comunicado conjunto, os diplomatas disseram que “por toda a crise, o Canadá subestimou a gravidade da situação, acumulou e ocultou informações críticas sobre sua segurança e saúde e deu respostas falsas, enganosas e incompletas para a equipe diplomática.”

Os casos vêm sendo registrados desde 2017, com funcionários reclamando a Ottawa de tonturas, enxaquecas, enjoos, zunidos no ouvido e até mesmo problemas visuais. As causas permanecem desconhecidas, mas um fenômeno similar acometeu 25 diplomatas americanos residentes em Cuba no mesmo período. 

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De acordo com a emissora canadense CBC, em setembro de 2017, o governo americano retirou de Cuba todo o corpo diplomático que considerou dispensável e recomendou o mesmo protocolo para o Canadá. Mas apenas as famílias de alguns dos funcionários foram enviadas de volta para sua terra natal. Até abril de 2018, o Canadá continuava a repor os postos vagos, apesar do aviso americano.

“Minha mulher não é mais a mesma”, disse um diplomata, que não quis se identificar, em depoimento a CBC. “Ela tem lapsos de memória, dores de cabeça, e problemas na audição.”

No último dia 30, o Canadá anunciou o corte de metade de sua equipe na embaixada cubana. Segundo a televisão pública Radio-Canadá, oito diplomatas canadenses continuam em seus postos em Havana.

A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, disse à imprensa que estava ciente do novo processo. “Não vou comentar detalhes, mas quero reiterar que me encontrei com alguns desses diplomatas e, como disse a eles, a saúde e a segurança deles precisa ser a nossa prioridade”, afirmou.

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Cuba negou qualquer envolvimento com o incidente. O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodriguez, insistiu que as alegações dos Estados Unidos eram uma “manipulação política” para prejudicar as relações bilaterais cubanas.

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