Dinamarca se une a Meloni em manifesto anti-imigrantes com defesa da ‘cultura cristã’
Declaração rejeita 'imigração descontrolada' e propõe deportar estrangeiros a países fora da UE após crise no enclave espanhol de Ceuta
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, publicou nesta segunda-feira, 10, uma declaração conjunta com sua homóloga dinamarquesa, Mette Frederiksen, que confirmou uma frente unida no combate à “imigração descontrolada” e comprometendo-se a “proteger a herança cultural cristã” da Europa.
A declaração destaca que ambas são as únicas mulheres a liderar governos europeus e que, apesar de virem de “contextos políticos diferentes” (a Dinamarca é governada pela centro-esquerda e a Itália, pela extrema direita), estão unidas por um compromisso comum de defender o continente.
“Não aceitamos a imigração descontrolada para a Europa e temos promovido uma política migratória rigorosa, tanto em nossos próprios países quanto em toda a Europa”, afirmou o texto, divulgado no Facebook. “Ninguém pode negar os impactos negativos da imigração ilegal em nossas sociedades: aumento das taxas de criminalidade, maior pressão sobre os serviços públicos e erosão da confiança pública. É particularmente grave quando migrantes ilegais, que não têm direito de permanecer em nossos países, cometem crimes violentos, traficam drogas ou são responsáveis por violência sexual.”
Crise em Ceuta e fronteiras fechadas
Frederiksen e Meloni têm se destacado recentemente como as vozes mais enfáticas da União Europeia a favor de uma política migratória mais rígida, especialmente desde a crise no enclave espanhol de Ceuta, quando dezenas de milhares de africanos vindos do Marrocos cruzaram ilegalmente a fronteira do enclave espanhol em questão de horas.
Em resposta, a Itália e a Dinamarca encabeçaram uma carta aberta às instituições do bloco europeu — assinada por um total de 22 Estados-membros — pedindo uma ação coordenada para combater a imigração ilegal, fortalecer as fronteiras externas e abordar os chamados “fatores de atração” (uma referência nada sutil a uma medida do governo da Espanha para regularizar a situação de meio milhão de estrangeiros irregulares, que só se aplica a quem já está no país).
+ Crise migratória de Ceuta eleva tensão entre Espanha e Itália
Para as duas líderes, os cidadãos comuns pagam há muito tempo um preço alto demais pela imigração descontrolada; elas argumentam que uma abordagem mais rigorosa em relação a migrantes que cometeram crimes graves significa maior segurança e proteção para as comunidades.
“Então, o que mais podemos fazer? Precisamos criar centros de repatriação em países terceiros, bem como outras soluções inovadoras fora da Europa. Estamos trabalhando arduamente nisso”, diz a publicação, referindo-se a centros de retorno — uma abordagem que a Itália vem testando na Albânia e que foi recentemente incorporada a uma lei controversa da União Europeia. “Mas isso não basta. O cumprimento das nossas leis deve caminhar lado a lado com o respeito pelos valores europeus. Isso se aplica aos migrantes em situação irregular, mas também aos milhões de cidadãos estrangeiros que vivem legalmente nos nossos países e em toda a Europa”, acrescenta a declaração.
Segundo as duas premiês, a questão migratória resume-se, em última análise, ao respeito pela herança cultural cristã da Europa e pelos valores compartilhados, que ambos se comprometeram a defender.






