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Dilma defende Estado Palestino na ONU e faz alerta sobre a economia mundial

Por Spencer Platt 21 set 2011, 12h15

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, abriu nesta quarta-feira os debates da 66ª Assembleia Geral da ONU com um forte apoio à adesão de um Estado Palestino às Nações Unidas, assim como uma advertência sobre o risco de “ruptura social e política” no mundo em consequência da crise econômica.

Dilma, primeira mulher a abrir o encontro anual da ONU em Nova York, voltou a exigir ainda a reforma do Conselho de Segurança e a concessão de uma vaga permanente ao Brasil no órgão.

“É pela primeira vez na história das Nações Unidas que uma voz feminina inaugura o debate geral, é a voz da democracia e da igualdade”, declarou Rousseff, que foi muito aplaudida neste momento.

“Tenho a certeza que este será o século das mulheres”, acrescentou.

“É chegado o momento de termos a Palestina representada como membro”, afirmou a presidente, deixando clara a posição do Brasil em meio a intensas negociações para evitar uma crise diplomática pelo pedido de adesão dos palestinos à ONU.

“Lamento não poder saudar a entrada plena da Palestina na Organização das Nações Unidas”, acrescentou Dilma, recordando que o Brasil já reconheceu o Estado palestino.

Segundo Rousseff, o reconhecimento do Estado palestino ajudará a obter uma “paz duradoura no Oriente Médio”, e assinalou que “apenas uma Palestina livre e soberana” poderá atender aos pedidos de Israel por segurança.

O presidente palestino Mahmud Abbas apresentará na sexta-feira um pedido de reconhecimento de um Estado palestino como membro pleno da ONU, com base nas fronteiras prévias à Guerra dos Seis Dias de 1967 e que inclua a Faixa de Gaza e Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental.

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Mas Israel e Estados Unidos se opõem de maneira enérgica à iniciativa, o que tem provocado intensas negociações para evitar uma crise diplomática mundial.

Além do pedido pelos palestinos, a presidente fez uma forte advertência sobre a situação da economia global, que considerou “extremamente delicada”.

“Ou nos unimos todos e saímos vencedores ou saímos todos derrotados”, disse, no momento em que a Europa tenta evitar que alguns países entrem em default pela impossibilidade de pagar a dívida externa e os Estados Unidos registram um déficit astronômico e taxa de desemprego alta.

Ela disse ainda que já não interessa buscar responsáveis para a crise, e sim encontrar “soluções coletivas” e propôs “uma nova cooperação” entre os países desenvolvidos e emergentes.

Ao falar sobre a reforma no Conselho de Segurança da ONU, a presidente destacou que “não é possível adiá-la mais” e que o Brasil “está pronto para assumir suas responsabilidades como membro permanente”.

“A cada ano que passa, mais urgente se torna uma solução para a falta de representatividade do Conselho de Segurança”, completou, antes de afirmar que o Brasil “vive em paz com os vizinhos há mais de 140 anos”, participa em “processos de integração e cooperação” e é “um fator de estabilidade e prosperidade na região”.

Os membros permanentes do principal órgão da ONU são Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha, que têm poder de veto.

Por tradição, corresponde ao Brasil inaugurar o debate da Assembleia Geral da ONU, e por isso Dilma Rousseff foi a primeira chefe de Estado a falar na tribuna ante os líderes mundiais reunidos em Nova York, antes do presidente americano, Barack Obama.

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