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Diferentes facções egípcias se reúnem e pedem diálogo

Membros do partido governista Irmandade Muçulmana e da coalizão opositora Frente de Salvação Nacional participaram de raro encontro para debater crise

Por Da Redação 31 jan 2013, 14h40

Uma rara reunião entre representantes de diferentes facções políticas do Egito foi realizada nesta quinta-feira, com o objetivo de buscar um fim para a crise política no país. Desde a última quinta-feira, as divisões no país voltaram a se aprofundar, com vários protestos de ruas, que deixaram mais de 50 mortos. O encontro desta quinta reuniu membros da Irmandade Muçulmana, à qual pertence o presidente Mohamed Mursi, e da Frente de Salvação Nacional, principal coalizão dos opositores. Na terça-feira, o chefe do Exército egípcio advertiu que o estado entraria em colapso se críticos e aliados de Mursi não encerrassem os confrontos no país.

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“Saímos da reunião com certo otimismo”, disse o político liberal Mohamed El-Baradei a jornalistas. No encontro convocado pelo xeque Ahmed al Tayyeb, chefe da mesquita e da universidade Al Azhar, foi assinado um documento segundo o qual ambos os lados renunciam aos conflitos. “Cada um de nós fará o possível, com boa vontade, para construir novamente a confiança entre as facções na nação egípcia”, acrescentou El-Baradei. Os participantes também teriam concordado em estabelecer um comitê reunindo partidos rivais para abrir caminho para um diálogo mais amplo. No início desta semana, a oposição rejeitou um chamado de Mursi a um diálogo nacional, por considerar a tentativa “sem sentido”.

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A nova onda de protestos começou na sexta-feira passada, quando a oposição convocou uma manifestação para marcar o segundo aniversário da revolta popular que levou à derrubada do ditador Hosni Mubarak. Os confrontos entre os manifestantes e as forças do governo se intensificaram no último sábado, após a condenação à pena de morte de 21 torcedores envolvidos em um massacre após um jogo de futebol. Em fevereiro de 2012, 74 pessoas morreram e 254 ficaram feridas nos enfrentamentos entre torcedores do clube local, Al Masry, e do Al Ahly, do Cairo, o mais popular do país, que tiveram papel destacado na revolta que derrubou Mubarak.

Com a escalada das tensões, Mursi declarou estado de emergência com toque de recolher em três cidades ao longo do canal de Suez: Port Said, Ismailia e Suez. Mas os opositores ao governo ignoraram a determinação e foram às ruas protestar.

(Com agência Reuters)

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