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Dias após assumir poder no Chile, Kast enfrenta primeira onda de protestos; entenda

Cortes na educação e aumento de até 54% nos combustíveis levam milhares às ruas. Governo blinda centro de Santiago e reage com canhões d'água

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 mar 2026, 10h47 | Atualizado em 27 mar 2026, 11h37
Dias após assumir poder no Chile, Kast enfrenta primeira onda de protestos; entenda Priorize VEJA no Google

Milhares de chilenos saíram às ruas de Santiago na quinta-feira, 25, para protestar contra o governo de extrema-direita de José Antonio Kast, duas semanas após ele assumir o poder. O novo presidente avalia um ajuste na gratuidade das universidades após reduzir o orçamento do Ministério da Educação, além de ter anunciado um aumento de até 54% no preço dos combustíveis.

Os manifestantes, em sua maioria estudantes do ensino médio vestidos com seus uniformes escolares, marcharam por vários quarteirões da avenida Alameda, no centro da capital. Durante o trajeto, houve alguns confrontos com a polícia, que os dispersou com canhões d’água.

Assim que assumiu o governo, Kast ordenou um corte de 3% no orçamento dos ministérios, sem exceção para o da Educação, para cumprir sua anunciada política de austeridade. Sua meta é reduzir o gasto público em cerca de US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 31,4 bilhões) nos próximos 18 meses, mas seus opositores duvidam que ele consiga sem afetar benefícios sociais.

Seu governo também avalia estabelecer um limite de acesso à educação universitária gratuita para novos estudantes com mais de 30 anos, e os manifestantes temem que novos ajustes sejam propostos. “Não merecemos este Kastigo”, diziam alguns dos cartazes erguidos pelos estudantes, em um trocadilho com o sobrenome do presidente.

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Combustíveis

O governo de Kast já deu sinais de que o ajuste fiscal é sério. A partir de quinta-feira, a gasolina subiu 30% e o diesel 60%, após o anúncio de um forte corte no subsídio estatal que evitava grandes aumentos devido à guerra no Oriente Médio. Após o anúncio, motoristas formaram filas em postos para antecipar o abastecimento antes da entrada em vigor dos novos valores, especialmente na capital, Santiago.

A marcha passou em frente ao Palácio de La Moneda, apesar de o governo ter blindado o centro de Santiago com barreiras, fechamento de estações de metrô, desvio do tráfego e um enorme contingente policial. Na residência presidencial, o mandatário promulgava sua primeira lei de “Emergência Energética” para mitigar os efeitos da alta dos preços. A medida inclui um bônus de 110 dólares (R$ 575) para taxistas e motoristas de transporte escolar.

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“Não afetemos mais a pátria do que já está afetada”, afirmou Kast. “Se alguém quiser manifestar o seu desagrado, que não use o transporte público, sobretudo o metrô, para se manifestar. Podem fazê-lo em qualquer lugar público, mas sem prejudicar outros compatriotas que necessitam desse transporte”, acrescentou, recordando os acontecimentos de 2019, quando o aumento do custo do metrô desencadeou a maior onda de protestos do Chile desde o fim da ditadura.

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