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Diante do coma de Mubarak e incerteza eleitoral, Egito vive clima de suspense

Por Da Redação - 20 jun 2012, 15h01

Marina Villén.

Cairo, 20 jun (EFE).- O clima no Egito nesta quarta-feira se mantém em suspense, diante da deterioração da saúde do ex-presidente Hosni Mubarak, que se encontra em coma, e o iminente anúncio dos resultados das eleições presidenciais.

A perspectiva é que o país mais povoado do mundo árabe conhecerá o nome do sucessor de Mubarak amanhã, enquanto o Faraó – apelido do ex-presidente que governou o Egito por três décadas com mão de ferro – está internado em um hospital entre a vida e a morte.

Tanto o islamita Mohammed Mursi, da Irmandade Muçulmana, como o militar aposentado Ahmed Shafiq, último primeiro-ministro de Mubarak, se atribuem como vencedores do pleito, enquanto a Comissão Eleitoral permanece em silêncio e examinando as cerca de 400 impugnações apresentadas pelos dois candidatos.

O movimento independente ‘Juízes pelo Egito’ anunciou nesta quarta-feira que, de acordo à apuração realizada por seus membros nos colégios eleitorais, o ganhador do segundo turno das presidenciais é Mursi com uma margem de quase 900 mil votos.

Já a Irmandade Muçulmana advertiu que pode ocorrer um ‘perigoso tête-à-tête’ entre o povo e o Exército se Shafiq for declarado presidente, o que seria ‘um óbvia sinal de golpe militar’, segundo declarações do porta-voz da formação, Mahmoud Gozlan, ao jornal árabe internacional ‘Asharq al-Awsat’.

Apesar da incerteza, os egípcios voltaram a mostrar seu bom humor. Na rede social Facebook, é possível ler comentários sobre como os seguidores de ambos os candidatos estão ‘contentes’ porque os dois ganharam.

Piadas do mesmo estilo surgiram nesta quarta perante as informações contraditórias sobre o estado de saúde de Mubarak: ‘Seus partidários estão felizes porque ele segue vivo e seus opositores estão contentes porque ele já morreu’.

A maioria dos egípcios só conheceu um presidente na vida, Mubarak, que em 2 de junho foi condenada à prisão perpétua pela morte de manifestantes durante a revolução que acabou com sua renúncia em fevereiro de 2011.

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Desde sua condenação e imediata transferência à prisão de Tora, sua saúde foi se deteriorando até que ontem à noite a agência oficial de notícia ‘Mena’ chegou a informar que o político tinha morrido clinicamente. No entanto, fontes médicas explicaram hoje à Agência Efe que o ex-presidente, de 84 anos, está em coma desde ontem à noite, pois os médicos não conseguiram eliminar um coágulo no cérebro do político.

Segundo as mesmas fontes, que acompanharam o ex-presidente na transferência dele de Tora a um hospital do Exército, Mubarak poderia ser operado se a equipe médica conseguisse dissolver esse coágulo.

Seu advogado, Farid el Dib, disse à Efe que seu estado de saúde melhorou hoje como resposta ao tratamento aplicado, após sofrer uma tromboses cerebral, seguida de um ataque cardíaco.

Enquanto isso, uma fonte médica oficial, citada pelo jornal estatal ‘Al Ahram’, destacou que as próximas 72 horas serão fundamentais e que o ex-presidente pode sobreviver, mas neste caso não recuperaria todas suas capacidades intelectuais e físicas.

Mubarak se encontra agora internado no mesmo hospital no qual morreu, em 1981, o ex-presidente egípcio Anwar el Sadat, após ser baleado por um grupo de islamitas infiltrados no Exército durante uma parada militar.

Fora do centro médico, protegido por fortes medidas de segurança, alguns de seus seguidores se reuniram nesta quarta. ‘Durante 30 anos, nosso presidente foi um herói na guerra e na paz, é como um pai’, disse à Efe a egípcia Tahani Latifi, com retratos de Mubarak entre as mãos e pendurados em seu pescoço.

Panfletos e fotografias do presidente circulavam entre os defensores de Mubarak, a maioria mulheres, que em várias ocasiões se enfrentaram verbalmente quem se aproximavam para criticar.

Para alguns, o coma de Mubarak é uma forma de distrair a população dos problemas atuais, como a falta de Parlamento, dissolvido na semana passada, e a promulgação de um anexo constitucional pela Junta Militar – máxima autoridade provisória do país – que blinda seus poderes e dá prerrogativas ao futuro presidente.

Contra estas decisões, os grupos revolucionários e a Irmandade Muçulmana se manifestarão diariamente na Praça Tahrir, como forma de se aquecer para na sexta-feira, quando deve ocorrer uma nova demonstração de força contra os dirigentes militares. EFE

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