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‘Diálogo de surdos’ entre oposição e regime enfraquece conferência de paz

Negociações seguem em clima de tensão e diplomatas ocidentais estão pessimistas em relação a um acordo que possa pôr fim ao conlito

Por Da Redação 23 jan 2014, 08h10

A conferência de paz Genebra II sobre a Síria faz uma breve pausa nesta quinta-feira depois de um primeiro encontro na Suíça entre representantes da oposição síria e do regime do ditador Bashar Assad. Segundo relatos de diplomatas que participam das reuniões, os sírios estão mantendo um “diálogo de surdos” que torna praticamente impossível chegar a um acordo para frear a guerra civil e construir um governo de transição.

As potências ocidentais e representantes do atual regime acusam uns aos outros de utilizarem “retórica incendiária” e “elucubrações agressivas”. Há ainda acusações mútuas de traição entre opositores e defensores de Assad e, com isso, a conferência de paz em Montreux transcorre em um ambiente de tensão e divergências. Diante do que se viu até agora, há pouca margem para o otimismo. Reunidos na pequena cidade suíça, quarenta representantes de países e organizações não tiveram de esperar muito para comprovar o fosso gigantesco que separa o regime de Bashar Assad e a oposição síria no exílio.

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Nesta conferência em Montreux, prelúdio das negociações finais entre as delegações sírias na sexta-feira em Genebra, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou a todos o que está em jogo no encontro: parar a matança indiscriminada e poupar vidas de civis inocentes, vítimas de quase três anos de confrontos. “Nosso objetivo era enviar uma mensagem às duas delegações sírias e ao povo sírio dizendo que o mundo quer que o conflito termine com urgência”, declarou Ban Ki-moon na coletiva de imprensa que encerrou o encontro. “Já basta! Agora chegou a hora de negociar”, acrescentou Ban, aparentemente irritado.

Reuniões tensas – Durante suas intervenções, o secretário americano de Estado, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, também mostraram suas divergências em relação à formação de um governo de transição na Síria. “Bashar Assad não formará parte do governo de transição. É impossível, inimaginável que este homem que realizou semelhante violência contra seu povo possa conservar a legitimidade para governar”, declarou Kerry. Lavrov criticou as tentativas de apelo à formação de um governo de transição “por consentimento mútuo”. A ideia foi aprovada pelas grandes potências em 2012 na conferência de Genebra I, que não contou com a presença dos sírios.

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Para piorar a situação já delicada, o ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Muallem, classificou os representantes da oposição sentados diante dele de traidores. “Pretendem representar o povo sírio”, declarou Muallem. “Se querem falar em nome dos sírios, não deveriam ser traidores do povo sírio, agentes a mando dos inimigos do povo sírio”, acrescentou. “Senhor Kerry, ninguém no mundo tem o direito de conceder ou retirar a legitimidade de um presidente, de uma Constituição ou de uma lei, exceto os próprios sírios”, disse Muallem em resposta às declarações de Kerry, que descartou qualquer papel de Assad em uma transição.

Muallem foi interrompido durante sua longa defesa da política do regime de Assad por Ban, que informou que o chefe da diplomacia síria havia superado o tempo de palavra concedido. Muallem respondeu dizendo que tinha que expressar a posição de seu país e continuou com sua intervenção. Depois do discurso de Muallem, Washington denunciou uma “retórica incendiária” e Paris criticou as “elucubrações longas e agressivas” do chanceler sírio.

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O chefe da delegação da oposição síria, Ahmad Jabra, convocou o ditador Assad a entregar o poder a um governo de transição. Seu discurso foi transmitido pela televisão síria, que não citou seu nome e mostrou, junto às imagens de seu discurso, imagens de mortos e de destruição com o título “Crimes terroristas na Síria”. Durante o discurso dos ministros das Relações Exteriores de Turquia e Arábia Saudita – principais partidários da oposição -, a televisão síria procedeu da mesma maneira.

A reunião de Montreux procurava preparar o encontro de sexta-feira em Genebra das duas delegações sírias – que se reúnem pela primeira vez desde o início do conflito – com a mediação do emissário especial das Nações Unidas e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, que nesta quinta-feira se reunirá separadamente com as delegações sírias. Enquanto o clima é tenso na Suíça, forças governamentais sírias bombardearam setores rebeldes ao redor de Damasco, Homs e Aleppo, onde um míssil matou dez pessoas.

(Com agência France-Presse)

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