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Dia do Trabalho tem manifestações em todo o mundo

Em Paris, dez pessoas foram detidas durante os protestos

Manifestações pelo 1º de Maio aconteceram neste domingo em vários países. Em Cuba, prevaleceram os gritos de apoio ao governo enquanto em Madri, na Espanha, houve protestos contra cortes sociais a menos de dois meses das eleições legislativas. Na França, houve confrontos entre manifestantes e policiais e dez pessoas foram detidas.

Milhares de pessoas, incluindo os líderes do Partido Socialista, Pedro Sánchez, e do partido Esquerda Unida, Alberto Garzón, participaram de uma marcha organizada por sindicatos, atrás de uma faixa em que se lia: “Contra a pobreza salarial e social, trabalho e direitos”. A oito semanas das eleições legislativas espanholas, lemas como “Contra os cortes, pelas pensões” dirigiam-se ao governo conservador, enquanto outros, como “Ninguém é ilegal” ou “Não ao TTIP”, visavam à política de imigração da União Europeia (UE) e ao projeto de tratado de livre-comércio com os Estados Unidos.

Na França, a festa acontecia em um ambiente particularmente tenso, após dois meses de protestos contra um projeto de lei do trabalho e numerosas manifestações marcadas pela violência. Uma passeata de sindicatos, reunidos pela primeira vez em sete anos, começou às 14h30 locais, sob vigilância policial. Pouco depois, foram registrados os primeiros incidentes. Jovens encapuzados e usando capacetes atiraram garrafas contra as forças de ordem, gritando: “Todo mundo odeia os policiais.” A polícia respondeu lançando gás lacrimogêneo. Dez pessoas foram detidas e duas ficaram feridas.

Em Cuba, centenas de milhares de trabalhadores marcharam em apoio às medidas de flexibilização econômica de Raúl Castro e em apoio aos governos brasileiro e venezuelano.

Em Istambul, na Turquia, a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar os manifestantes em vários pontos da cidade, principalmente nos arredores da célebre praça Taksim, onde costuma haver protestos. Militantes do Partido Democrata dos Povos (HDP, pró-curdos) também foram dispersados pela polícia, que mobilizou quase 25 mil agentes e fechou ruas por ocasião do Dia do Trabalho, quando costumam ocorrer confrontos entre militantes contrários ao poder e forças de segurança.

Na Rússia, cerca de 100 mil pessoas, segundo a polícia, participaram em Moscou de uma grande manifestação organizada na Praça Vermelha, agitando bandeiras e balões em frente ao Kremlin, lembrando os desfiles da extinta União Soviética.

Na Polônia, centenas de manifestantes se reuniram em Varsóvia, convocados por sindicatos e pelo partido de esquerda SLD. Os polonses marcharam com calma pelas ruas da capital, onde ocorreram outras passeatas, menores, convocadas por organizações de esquerda.

Na Itália, uma manifestação que uniu os três principais sindicatos do país ocorreu sem incidentes na manhã deste domingo, sob chuva, nas ruas de Gênova, com a presença de 5 mil pessoas.

Na Coreia do Sul, dezenas de milhares de pessoas protestaram contra a anunciada reforma das condições de trabalho, um projeto da presidente Park Geun-Hye e de seu partido, conservador, que prevê facilitar as demissões.

Na Áustria, o chanceler social-democrata Werner Faymann foi recebido com gritos pedindo a sua demissão, ao se dirigir a uma multidão de cerca de 80 mil pessoas em Viena, enquanto tentava defender a política migratória e de emprego da grande coalizão que dirige com os democrata-cristãos.

O Dia do Trabalho, comemorado em diversos países, foi instituído em Chicago, em 1886, por iniciativa de um movimento sindical que reivindicava uma jornada de trabalho de oito horas.

(Com AFP)