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Dezessete anos depois de Srebrenica, Mladic enfrenta o tribunal

O chefe militar dos sérvios da Bósnia, Ratko Mladic, comparecerá a partir de quarta-feira ante o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIY), dezessete anos depois da matança de quase 8 mil muçulmanos em Srebrenica.

Ratko Mladic, de 70 anos, é acusado de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, assim como seu alter ego político, Radovan Karadzic, de 66 anos, julgado na Haia desde outubro de 2009.

A guerra da Bósnia (1992-1995) deixou 100 mil mortos e 2,2 milhões de desalojados.

A acusação considera os dois homens como os principais atores de um “plano criminoso comum” destinado a “expulsar para sempre” os muçulmanos e os croatas da Bósnia do território reivindicado pelos sérvios na Bósnia-Herzegovina, mediante uma campanha de perseguição.

Nesta segunda-feira à tarde, os advogados de Mladic pediram que o julgamento seja adiado por seis meses porque consideram que não tiveram “o tempo adequado” para examinar alguns documentos e, portanto, para preparar a defesa de seu cliente.

O tribunal não se pronunciou até agora a respeito.

Chefe do Estado-Maior do Exército da República Sérvia da Bósnia-Herzegovina (VRS) de 1992 a 1996, do qual era o oficial de mais alta patente, Ratko Mladic, foi preso no dia 26 de maio de 2011 em Lazarevo, a 80 quilômetros a nordeste de Belgrado, onde vivia modestamente na casa de um primo.

Clandestino desde a queda, em 2000, do presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, que morreu durante seu processo em Haia em 2006, Ratko Mladic se rendeu sem resistir depois de ter conseguido evitar a justiça internacional durante dezesseis anos.

Em seu primeiro comparecimento ao TPIY dia 3 de junho de 2011, os juízes se depararam com um homem desgastado e enfraquecido, muito diferente do general que desfilava em 1995 pelo enclave de Srebrenica, no leste da Bósnia.

Cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos foram executados em julho de 1995 pelas forças sérvias da Bósnia durante uma matança considerada genocídio.

Ratko Mladic também é acusado de um genocídio cometido durante e depois da tomada de municípios na Bósnia e de nove acusações de crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

Além disso, deve responder pelo ataque de Sarajevo durante o qual morreram 10 mil civis e pela tomada como reféns de 200 soldados e observadores da ONU em 1995.

Mladic, que alega não ser culpado, declarou durante sua primeira aparição na Haia: “Defendi meu país, meu povo”. Agora pode ser condenado à prisão perpétua.

“Continua pensando o mesmo, que não tem nada a ver com os crimes, está convencido de que não será considerado culpado”, declarou à AFP seu advogado Branko Lukic.

Ratko Mladic falou pouco durante a dezena de audiências de preparação de seu processo, exceto para se queixar de seu estado de saúde. “É evidente que está doente e não estou certo se poderá participar de cinco audiências por semana”, disse o advogado.

O ex-militar, que foi vítima de três AVCs em 1996, 2008 e fevereiro de 2011, tem o lado direito de seu corpo paralisado. “Certamente está melhor do que quando chegou ao tribunal, mas não se recuperou completamente”, afirmou Lukic.

No começo, Ratko Mladic não fará declarações durante a audiência de quarta-feira, segundo seu advogado.

O processo começará com a declaração preliminar da acusação na quarta e na quinta-feira e recomeçará dia 29 de maio, com a primeira testemunha citada pela promotoria, segundo a qual o processo poderia durar três anos.

Na sexta-feira, a defesa de Mladic tinha pedido a recusa do magistrado holandês que preside a corte encarregada de julgar o ex-general, devido a sua “parcialidade” e desejou que a abertura do processo fosse suspensa, até que houvesse uma decisão a respeito.