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Dezesseis mortos em ataques contra igrejas no Quênia

Por Tony Karumba - 1 jul 2012, 11h03

Pelo menos 16 pessoas morreram neste domingo em atentados contra duas igrejas de Garissa, leste do Quênia, perto da fronteira com a Somália, no ataque mais violento desde a intervenção do Exército queniano do fim de 2011 no sul somali contra os islamitas shebab.

Homens armados abriram fogo e lançaram granadas contra duas igrejas da cidade de Garissa quando os fiéis estavam reunidos para a missa dominical. Os atentados coordenados não foram reivindicados, mas constituem sem dúvida uma nova represália depois da ação queniana contra os shebab, que prossegue atualmente.

“Dez pessoas foram mortas a tiros na igreja AIC (Africa Inland Church) e três ficaram feridas em uma igreja católica”, afirmou o chefe de polícia da região, Philip Ndolo.

“Condenamos estes atos da maneira mais firme”, completou.

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De acordo com o diretor da Cruz Vermelha queniana, Abbas Gullet, seis pessoas morreram quando eram levadas para o hospital. Quarenta pessoas ficaram feridas, 10 delas em estado grave.

De acordo com a polícia, sete homens participaram nos ataques, mas ninguém foi detido até o momento.

“É um cenário terrível. Podemos ver os corpos no chão da igreja”, disse o chefe de polícia da província norte-oriental, Leo Nyongesa.

O Conselho Supremo dos Muçulmanos do Quênia condenou os ataques e recordou que “todos os lugares de culto devem ser respeitados”.

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Garissa fica na província norte-oriental do Quênia, a 140 km da fronteira com a Somália. Esta cidade também fica a 70 km do gigantesco campo de refugiados de Dadaab, que abriga 465.000 refugiados somalis, onde na sexta-feira quatro trabalhadores humanitários estrangeiros da ONG Norwegian Refugee Council (NRC) foram sequestrados e um motorista queniano assassinado.

Várias cidades do Quênia, incluindo Nairóbi, a capital, e Mombasa, na costa, foram cenários de atentados nos últimos meses depois que o Exército queniano entrou, em outubro de 2011, no sul da Somália para expulsar os islamitas somalis shebab, que ameaçaram responder o que considderam uma “agressão”.

As forças de segurança que patrulham o setor queniano da fronteira também são regularmente alvos de ataques.

Em geral, as autoridades quenianas atribuem os atentados aos shebab, mas eles nunca reivindicaram os ataques.

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